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Macron e Le Pen: Um debate que mais pareceu um "duelo"

Mundo

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Reuters

A maioria dos inquiridos por telefone considerou que Emmanuel Macron "mais convincente" do que Marine Le Pen do derradeiro debate antes das eleições presidenciais francesa, mas há quem diga que foi mais um "duelo" do que um "debate"

"Não foi um debate, foi mais um duelo entre adversários que têm projetos radicalmente diferentes e visões da França radicalmente opostas. Como não há nada em comum, tudo se traduziu na rivalidade, na confrontação. Foi um verdadeiro duelo, um combate oral entre estes dois adversários, entre estes dois inimigos", afirmou o politólogo francês Madani Cheurfa, em declarações à Lusa.

O analista, secretário-geral do Centro de Investigação Política de Sciences-Po (CEVIPOF), em Paris, explicou que "ao contrário de todos os debates precedentes que começaram devagar, este subiu de intensidade desde as primeiras declarações de Marine Le Pen e assim se manteve até ao fim", considerando que foi um "debate agitado, por vezes, violento".

O professor em Sciences-Po acrescentou que o "debate intenso, duro e, por vezes, cacofónico" foi "revelador do caráter" dos candidatos, com Emmanuel Macron a "manter o sangue frio" face a Marine Le Pen que "por vezes pareceu perder o controlo".

"Houve uma verdadeira diferença entre o discurso de Emmanuel Macron que foi menos tecnocrata e tentou ser mais acessível face a uma Marine Le Pen que tentou destabilizar o adversário e que teve gestos impressionantes, risos de escárnio. Algo a que não estávamos habituados neste tipo de debate presidencial", descreveu.

Os candidatos revelaram, assim, "dois estilos completamente opostos", mas graças ao "sangue frio e autocontrolo", Emmanuel Macron teve uma "estatura mais presidencial", enquanto Marine Le Pen manteve "um estilo completamente diferente que revela uma outra forma de praticar o poder".

Quanto ao impacto sobre o eleitorado indeciso, Madani Cheurfa considerou que "o debate vai confirmar as convicções dos que já apoiam um ou outro candidato", mas "para os indecisos, não chega" nem para uma parte dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon que pensa não ir votar no domingo porque, o que "os anima é a rejeição da extrema-direita mas também o que imaginam ser a finança no poder".

"Ainda assim, as pessoas que hesitam em votar Emmanuel Macron - face ao que poderia ser a extrema-direita - puderam ver que Marine Le Pen continua a líder da extrema-direita com uma forma de agressividade no discurso que ela tinha tentado apagar ao longo da tentativa de 'desdiabolizar' o FN", acrescentou.

O politólogo notou, ainda, que Marine Le Pen utilizou a sua conclusão "para atacar Emmanuel Macron", enquanto ele "aproveitou para falar do seu projeto, com algumas tiradas líricas sobre a França, dirigindo-se aos franceses com olhares para a câmara".

Violentos ataques marcaram o debate, com Marine Le Pen a começar por apontar Emmanuel Macron como "o candidato da globalização selvagem, da 'uberização', da precariedade, da brutalidade social, da guerra de todos contra todos".

O adversário centrista acusou-a várias vezes de "dizer muitas mentiras" e concluiu dizendo que "recusa o espírito de ódio" e "o país do obscurantismo" que vê representado em Marine Le Pen.

Após dez dias de uma campanha agressiva entre as duas voltas das presidenciais, Emmanuel Macron, que obteve o melhor resultado na primeira volta, é apontado pelas sondagens como o vencedor a 07 de maio, com cerca de 60% das intenções de voto, mas a margem de avanço em relação a Le Pen está a diminuir.

Sondagem dá vitória a Macron no debate

Um total de 63% dos entrevistados por telefone, no final do debate, considerou Macron "mais convincente", contra 34% que se pronunciou a favor de Marine Le Pen, de acordo com o estudo difundido pela televisão francesa BFMTV.

Emanuel Macron foi o preferido de 95% dos eleitores votaram na primeira volta, a 23 de abril, votaram no candidato centrista.

Marine Le Pen teve o apoio de 85% dos seus eleitores.

Macron foi também considerado melhor por 58% dos que votaram na primeira volta no conservador François Fillon, terceiro classificado, e por 66% dos que votaram no candidato da esquerda Jean-Luc Mélenchon, quarto na votação

com Lusa