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Ex-diretor é acusado de lavagem de dinheiro durante mandato no FMI

Mundo

Andrea Comas/ Reuters

Rodrigo Rato, diretor-geral do FMI entre 2004 e 2007, é acusado de receber €31,2 milhões de empresas privatizadas através de uma offshore enquanto exercia o cargo na entidade

De acordo com informações do jornal espanhol El Mundo, no último domingo, Rato é investigado por receber dinheiro de empresas privatizadas de forma ilegal enquanto exercia o cargo no órgão internacional. Segundo o jornal, que cita um documento de 321 páginas, em causa estão delitos fiscais, corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-diretor do FMI teria escondido 7 milhões de euros em contas estrangeiras e lucrado 31,2 milhões através de uma empresa "offshore" enquanto dirigia a entidade internacional.

De acordo com investigadores, o político aproveitou-se de uma sociedade "criada e pensada para cumprir os elementos essenciais da lavagem de dinheiro" entre 1998 e 2013. A maior parte dos rendimentos de Rato viria da empresa "Cor Comunicación", que realizava campanhas de publicidade para empresas privatizadas.

A investigação aponta que a Cor era utilizada para esconder a origem de dinheiro ilícito oriundo de delitos prévios, numa conduta típica em casos de lavagem de dinheiro. A polícia espanhola ainda acusa Rato de "enriquecer ilicitamente ao utilizar a sua posição de autoridade através de múltiplas empresas sob o seu domínio, relacionando essa permissibilidade com o exercício de um cargo público".

"Pode-se afirmar que Rodrigo Rato procurava, através de sua extensa estrutura empresarial, ativar as somas recebidas do pagamento de empresas privatizadas e, com o pleno conhecimento que cometia uma irregularidade, tentou esconder sua participação nas empresas que receberam determinados pagamentos", afirma a acusação.

Rato esteve à frente do FMI entre 2004 e 2007. Neste período, a "Cor Comunicación" faturou 31,3 milhões, a maior parte vindos de empresas privatizadas.

O antigo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) Rodrigo Rato foi condenado, em fevereiro, a quatro anos e meio de prisão por se ter apropriado indevidamente de património de dois bancos espanhóis dos quais era presidente, o Caja Madrid e do Bankia.