Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Quando a mentira se torna política de Estado

Mundo

Recorde casos, nacionais e internacionais, de Nero a Centeno, em que políticos e governantes foram apanhados em falsidades ou factos alternativos. A mentira governa o mundo? Sim. Saiba como e porquê

Filipe Luís

Filipe Luís

Editor Executivo

As sms trocadas entre Mário Centeno e António Domingues. O livro de Cavaco Silva com a "montagem" das escutas de Sócrates em Belém. O inexistente atentado terrorista na Suécia, mencionado por Donald Trump. E o desmentido de João Ferreira de que o PCP alguma vez tenha pedido a demissão de ministros.

O que têm de comum todos estes episódios de realidade alternativa? Uma semana.

Uma simples semana fornece-nos quatro acontecimentos, em Portugal e no mundo, que nos colocam perante as evidências, os truques e as motivações da manipulação da verdade, com vista a atingir objetivos políticos. No momento em que este artigo foi planeado, ainda nada disto tinha acontecido. Mas é provável que, se saísse na edição da próxima semana, já houvesse exemplos mais frescos com que começar o texto. Na política, a mentira dispara mais rápido do que a própria sombra.

A política tornou-se uma sopa da pedra: o calhau está lá, nós sabemos que está lá, achamo-lo indispensável, até dá o nome à sopa, mas os verdadeiros ingredientes são outros. O frade que inventou o pitéu dominava a arte da manipulação da verdade. Ou, se quisermos socorrer-nos de um velho provérbio chinês, "a verdade tem vários rostos". Os factos tornaram-se maleáveis e constam de uma espécie de menu à escolha do político e do eleitor. Conforme documentam estudos de Psicologia, os factos raramente alteram as convicções. Alguns chamam-lhe factos alternativos. Em Portugal, passam, agora, por "erros de perceção mútua". Uma originalidade feliz, porque, no fundo, é isso mesmo: as massas participam, voluntariamente, no jogo de enganos. A pós-verdade ultrapassou o limiar da mera mentira: o político constrói uma narrativa, monta um cenário, reúne um quadro de verosimilhanças. Mas as clientelas do populismo não precisam disto: tornaram-se cúmplices do engano porque querem muito acreditar. E a mentira é mais direta e... verdadeira. A parceria de pós-verdade entre Donald Trump e o seu eleitorado é um jogo de cumplicidades. O erro de perceção é mútuo. O homem diz umas verdades que outros têm medo de dizer. É quanto baste, para o autorizar a mentir.

Uma velha anedota sobre o socialismo científico, à soviética, é a definição perfeita do que vivemos, embora noutras latitudes políticas, teoricamente opostas à ideologia derrotada pela queda do Muro de Berlim. Diz assim: "O que é o capitalismo? É andar num quarto escuro, de olhos vendados, à procura de um gato preto. E o que é o socialismo? É andar num quarto escuro, de olhos vendados, à procura de um gato preto que não está lá. E o que é o comunismo? É andar num quarto escuro, de olhos vendados, à procura de um gato preto que não está lá, e gritar: 'Agarrei-o!'." Um mês e 80 grandes mentiras depois do início do mandato, Donald Trump agarrou o seu gato preto. E milhões de americanos juram que o ouviram miar.

SEXO ORAL É SEXO?

E quem são os guardiões do politicamente correto para lhe atirar a primeira pedra? Ninguém.

Antes dele, Bill Clinton quase foi alvo de um impeachment por ter mentido no caso Monica Lewinsky. A América deu consigo a discutir se o sexo oral pode ser considerado "uma relação sexual". Já o Presidente, nas audições, era visto a coçar frequentemente o nariz, um sinal bem identificado pelos psicólogos.

Menos calvinistas, os portugueses admitem uma escapadela aos seus políticos, mas estão mortinhos por espreitar, qual cônjuge ciumento, as sms de um governante. Ao lado, partidos que seriam insuspeitos de pactuar com a nomeação pouco transparente de um banqueiro, habitualmente implacáveis na denúncia deste tipo de situações, recusam ler as tais mensagens que esclareceriam tudo.

E matam o mensageiro (António Lobo Xavier, que denunciou o caso) chamando-lhe "bufo".

Mentiras, meias verdades e lapsos de memória em comissões de inquérito são mato.

Faltou à verdade, prestou falso depoimento, disse inverdades, tudo eufemismos para descrever horas de interrogatórios aos protagonistas do caso BPN, da PT-TVI ou do BES. Esta semana, o CDS chegou a insinuar que poderia avançar para uma queixa-crime contra Mário Centeno, por perjúrio. Dir-se-ia: Um ministro das Finanças? É grave. Mas, citando o Eclesiastes, "não há nada de novo debaixo do Sol". Numa comissão parlamentar de inquérito aos produtos de risco financeiros (swaps) a antecessora de Centeno, Maria Luís Albuquerque, foi igualmente apontada por alegadamente faltar à verdade, em 2013. A oposição, incluindo o PCP, pediu, também a sua demissão. Já esta semana numa pequena contribuição dos comunistas para a era da pós-verdade... o candidato comunista à Câmara de Lisboa afirmou que o PCP jamais pediu a demissão de qualquer ministro em particular. A cereja da manipulação dos factos, essa, foi colocada no topo do bolo pelo próprio Presidente Marcelo, justificando a sua posição de aceitar a manutenção do ministro no lugar, "por razões de estabilidade financeira". Disse o PR que, em 2013, quando Vítor Gaspar se demitiu, os mercados penalizaram fortemente o País, que viveu uma grande turbulência financeira.

Não recordou, porém, que vivíamos sob as diretrizes da troika, que o problema não foi a demissão de Gaspar mas a de Paulo Portas, que existia uma coligação de Governo em risco e que o País esteve em crise política durante mais de duas semanas. O que é que uma eventual substituição de Mário Centeno teria a ver com isto?

TERRORISTAS NOSSOS AMIGOS

Dia das mentiras, 1 de abril de 2011: "Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e, também, com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate. Um disparate!" E a 1 de junho de 2010: "A política de privatizações em Portugal será criminosa, nos próximos anos, se visar, apenas, vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro." Acertou: foi Pedro Passos Coelho quem disse isto, respetivamente, uns meses e dois anos antes de praticar o que então condenava ou era um "disparate".

A questão, nestes como noutros casos, é a de saber até que ponto o logro está atenuado, ao princípio, por genuína boa-fé ou se a mentira foi ou não intencional. Poderia dizer-se que Passos ainda não conhecia a verdadeira dimensão do buraco orçamental. Mas nada no seu discurso de campanha apontara para esse desconhecimento. Pelo contrário: o discurso catastrofista era o de alguém que esperava encontrar as finanças públicas ainda piores do que encontrou. Diferentes foram os insatisfatórios esclarecimentos sobre a suas verdadeiras funções na Tecnoforma, ou a origem das suas verdadeiras remunerações... Pode uma mentira começar por ser uma verdade? Sim. Paulo Portas, quando se demitiu de forma "irrevogável", estava a ser sincero.

Ou talvez Durão Barroso, quando se prestou a ser o anfitrião da cimeira da guerra, em 2003, na Base das Lajes (ver caixa) se baseasse, de boa-fé, em informações cedidas pelos seus aliados e que, depois, se revelaram falsas. Mas também é verdade que todos os organismos internacionais independentes alertavam para o mito das armas de destruição maciça e, a esses, Durão não quis ouvir.

Por falar na cimeira das Lajes: não foi um contemporâneo de Durão, o presidente do Governo espanhol, quem veio a cair por causa de uma mentira? Superfavorito nas eleições de 2004, José María Aznar foi, três dias antes da ida às urnas, confrontado com os atentados de 11 de março (ver caixa). Ao meio-dia, já estava a telefonar para os diretores dos jornais, atribuindo as culpas à ETA. Sempre eram "terroristas familiares": Aznar sabia que o eleitorado fora contra a intervenção no Iraque tão apoiada pelo seu executivo e que um atentado da Al Qaeda seria interpretado como a consequência de uma política que colocara a Espanha na rota do terrorismo. Horas depois, claro, estava desmentido: fora mesmo a Al Qaeda.

CAVACO, COM MESTRIA

A manipulação da verdade tem episódios que dão lições de sofisticação à, ainda assim, tosca explicação de "erro de perceção". O ministro das Finanças é um aprendiz, mas o mestre Aníbal Cavaco Silva, que tem 30 anos disto, podia dar-lhe lições na arte de embrulhar embustes com o florido papel da meia-verdade. Veja-se a sua explicação para o facto de ter induzido uma multidão de pequenos investidores a entrar no aumento de capital do BES, pouco antes de o Grupo Espírito Santo ter implodido: "O Presidente da República nunca fez uma declaração sobre o BES. (...) Fiz três afirmações sobre o Banco de Portugal". Realmente, é verdade: interrogado sobre a segurança do investimento, Cavaco citou afirmações do Banco de Portugal que asseguravam a solidez do BES. Ao fazê-lo, porém, corroborava, tacitamente, a opinião do BdP. Fez suas as palavras do regulador. E fez isso, não obstante os alertas contrários, que lhe haviam sido transmitidos pelo próprio Ricardo Salgado, meses antes, numa audiência fora de agenda, em Belém! Não era a primeira vez que usava o truque da dissimulação: no caso da reforma, queixou-se de que aquela pensão não lhe chegava para as despesas. Mentiu? Nem por isso... Esqueceu-se foi de referir as outras pensões que mensalmente auferia...

Idem para as ações da SLN, que adquiriu e vendeu legalmente mas a convite e conselho da administração do BPN. Ao menos, Donald Trump confronta, às claras, as lojas que deixam de comprar roupas da marca detida pela filha...

Cavaco Silva não foi o único a tentar sossegar os portugueses a propósito do sistema financeiro. Aliás, esse motivo, sossegar, acalmar, desdramatizar, anestesiar ou dar as más notícias devagarinho, para não provocar o pânico de cidadãos e mercados, tem sido, para os decisores políticos, uma linha comum. Em novembro de 2011, Teixeira dos Santos, ministro das Finanças de José Sócrates, dizia que não haveria custos para o contribuinte, por causa da nacionalização do BPN. Embora, formalmente, tenha sido encontrada uma solução diferente da do BPN, com a "invenção" do Novo Banco, a ministra Maria Luís Albuquerque diria exatamente o mesmo, a propósito do BES.

Podíamos dizer que António Costa rompeu com este estado de coisas. A sua intervenção no Banif foi precedida do aviso de que aquilo iria custar muitos milhões aos contribuintes. Mas já borrou a pintura: na solução encontrada para os lesados do BES, jurou que a fatura nunca seria paga pelos portugueses. Apertado no Parlamento, mudou a agulha, reconhecendo que isso só acontecerá "numa hipótese muito remota". Já se percebeu.

Já que falamos de mentiras extremamente atuais, o que dizer da execução do Orçamento de 2016, que redundou no famoso défice de 2,1%, bem como dos cortes para 2017 que o Governo nega? É simples: no OE para 2016 estavam inscritas verbas que, a bem do cumprimento das metas, nunca foram executadas. Primeiro embuste. Na elaboração do documento para 2017, o Governo compara o que foi executado no ano passado com o projetado para este ano, evitando a comparação com o Orçamento inicial de 2016. Segundo embuste.

Se comparasse com o documento aprovado, no Parlamento, para 2016 (como sempre se fez), haveria cortes que, tendo por bitola o realmente executado, se transformam em... investimento!

A FOLGA DE SÓCRATES

Independentemente do que venham a decidir os tribunais, no âmbito da Operação Marquês, sabe-se já hoje que as versões do antigo chefe do Governo, em vários aspetos da acusação, foram evoluindo. Já no seu segundo Governo, José Sócrates é acusado de ter tido ao serviço uma constante operação de spinning, apoiada numa máquina de propaganda implacável e em blogues remunerados, para manipulação da verdade. O caso da licenciatura é, sob esse ponto de vista, paradigmático. A operação da PT-TVI foi outra das guerras em que a verdade foi a primeira vítima.

Mas o epitáfio político de José Sócrates começa a escrever-se numa mentira. Estava-se no auge da crise do subprime americano e as ondas de choque começavam a fustigar a Europa. Em 2009, porém, havia eleições.

Numa célebre declaração, afirmou que o País dispunha de "folga" para aumentos salariais na Função Pública. Ora, como se constatou depois, não só não havia qualquer folga como a medida veio aumentar o endividamento do Estado, contribuindo, decisivamente, para o posterior resgate. Esta foi uma mentira eleitoralista especialmente grave, por acabar por prejudicar todos os portugueses, incluindo os próprios funcionários públicos que, ainda antes de o Governo Sócrates cair, viram ser cortados os seus salários para níveis anteriores aos do aumento.

Em desespero de causa, José Sócrates afirmara, na AR, que não estaria disponível para governar com "uma agenda neoliberal imposta pelo FMI". Apesar disso, já depois do resgate, voltou a candidatar-se, nas eleições de 2011, o que pressupõe que não só aceitaria como desejaria governar o País tendo por guia o memorando imposto pela troika e o mesmo tipo de agenda que dissera recusar.

Passos Coelho, pelo seu turno, prometia ir além da troika, tendo declarado, no início do seu Governo, que estava de acordo com as medidas impostas no ajustamento. "Que se lixem as eleições", chegou a dizer. A sua prática posterior desmentiu inteiramente esta postura. O seu parceiro de coligação, aliás, montou mesmo um cronómetro, na sede do CDS, com a contagem decrescente para... a troika se ir embora.

Este tipo de dialética será admissível no calor do jogo político. A direita, por exemplo, acusa o PS de, por três vezes, ter pedido a intervenção do FMI. Omite que, em 1977, o fez no rescaldo do PREC e, em 1983 em coligação com o PSD..., pediu ajuda assim que viu o estado em que a própria direita, através da AD, deixara o País... Já o atual Governo diz que conseguiu o melhor défice da democracia, omitindo que isso só foi possível porque, em quatro anos, o Governo anterior conseguiu reduzi-lo de 11% para 3 por cento.

Estão, neste plano, mais ou menos quites.

O MEDO É UMA ARMA

O medo é uma das principais armas dos demagogos.

Mas a receita tem sido aplicada por inúmeros políticos tidos por institucionalistas, tanto cá como lá fora. Em 1990, Cavaco Silva alertava, na festa de verão do PSD, no Pontal, para um (inexistente) "pacto secreto" entre o PS e o PCP para o assalto ao poder.

Na memória recente estava a coligação entre os dois partidos, liderada por Jorge Sampaio, na Câmara de Lisboa, o que dava verosimilhança à coisa, uma técnica comunicacional que marcaria a carreira política do então primeiro-ministro.

Nos nossos dias, o fantasma do regresso de Passos Coelho ao poder é diariamente agitado pelo PS, para manter anestesiados os seus parceiros à esquerda e para fazer aceitar ao próprio eleitorado medidas mais duras, como o aumento da gasolina em 30%, em apenas um ano.

Esta sensação de insegurança, ampliada, na Europa, pela pressão dos refugiados e do terrorismo, bem como das políticas europeias que têm fomentado o desemprego e a austeridade, e reduzido direitos sociais, pode provocar a ascensão dos populismos. Paradoxalmente, alguma evolução nas intenções de voto ao centro, em França e na Alemanha, indica que o medo sobre as consequências de atos de políticos como os de Donald Trump pode prejudicar, por sua vez, os partidos populistas, no Velho Continente...

Trump como vacina? Ninguém se lembraria.

O medo e o ódio têm campo fértil nas redes sociais e tornam as pessoas mais permeáveis à mentira. Nos EUA, um professor universitário, Nathan Phillips, fundou uma associação que se dedica à "caça" de publicações online que fomentem mentiras, negacionismo ambiental, conteúdos supremacistas e intimidação que possam originar ataques contra muçulmanos, gays, mulheres e afro-americanos. A Sleeping Giants denuncia as empresas ou instituições que compram espaços publicitários nessas publicações e exerce permanente pressão sobre elas.

Com efeito, as campanhas negras, seguidas, sobretudo, nas redes sociais, onde a informação aparece sem filtros nem contraditório, podem arrasar uma reputação ou uma marca comercial. Declarações fora de contexto do proprietário da Padaria Portuguesa podem, nesta matéria, ombrear com o julgamento de caráter de um sindicalista. Com a morte de Mário Soares, voltou o chorrilho de mentiras sobre a intenção de reprimir os colonos portugueses em África, aproveitando declarações deliberadamente descontextualizadas do então ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a necessidade de prevenir eventuais tumultos provocados por colonos desesperados. Uma das histórias repetidamente recuperadas é o tratamento dado por Soares à bandeira nacional, durante uma manifestação contra a visita de Marcelo Caetano a Londres, em 1973. As versões variam: ou pisou, ou rasgou, ou cuspiu na bandeira. Na verdade, esta história foi posta a correr pela polícia política do antigo regime, para desacreditar aquele que começava a ser o opositor não comunista mais conhecido internacionalmente. As gémeas Mortágua também já foram apontadas, no Facebook, por serem filhas de um "assaltante". Omite-se que as ações de Camilo Mortágua se inscreviam em atos de resistência revolucionária, contra o antigo regime, como a do assalto da LUAR a uma agência do Banco de Portugal ou a tomada do paquete Santa Maria.

Mas é só a direita que difama? Nem por isso: uma ficha da PIDE, com a fotografia de Cavaco Silva, chegou a ser dada como prova de que o ex-PR pertencera à polícia política de Salazar quando o documento, então obrigatório para cargos como o de professor universitário, de direita ou não, apenas atesta o visto daquela polícia à colocação de Cavaco num estabelecimento de ensino do Estado.

SMS BOAZINHAS...

Na sua obra República, Platão defende que o Estado deve ter sempre um inimigo. Só a existência de um inimigo pode unir as pessoas em torno de um líder. Esta lição foi seguida por quase todos os líderes absolutos, ao longo de milénios, e o aspirante Donald Trump sendo duvidoso que conheça o filósofo grego utiliza-a ad nauseum. Como diz uma mentira de Trump, "a taxa de homicídio nos EUA é a maior em 47 anos e não convém à imprensa falar disso". De facto, essa taxa situa-se em mínimos históricos, nos EUA.

Havia dez homicídios por 100 mil habitantes em 1980 e oito em 1995. Em 2015, ano em que foram divulgados os últimos números, essa taxa era de cinco por cada 100 mil residentes.

Mas a mentira pode ter uma forte razão de Estado. A necessidade de combater o nazismo justificou os 2 mil mortos de Pearl Harbor, que poderiam ter sido evitados, se as autoridades americanas não tivessem escondido os avisos sobre as intenções japonesas (ver caixa)? Pode uma mentira ser capaz de virar a opinião pública para o caminho certo? Poder, pode. As sms de Centeno, por exemplo, permitiram ganhar tempo para o estabelecimento de um plano para a recapitalização da Caixa, que o interesse nacional impunha. Ter eventualmente mentido não foi, pois, o seu principal problema. O problema foi ter sido apanhado.

Artigo publicado na VISÃO 1251 de 23 de fevereiro