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Na China, política dos dois filhos faz explodir tratamentos de fertilidade

Mundo

PETER PARKS / GettyImages

Em 2016 nasceram mais dois milhões de bebés na China. A culpa é do ano do macaco e do fim da política do filho único

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Quando uma borboleta bate as asas na China, acontece um furacão na América. Ou então, quando a política chinesa dá um passo em frente, uma empresa europeia aumenta a sua faturação.

Em janeiro de 2016 terminou oficialmente a Política do Filho Único, que obrigava os casais chineses a terem apenas um filho. A lei entrou em vigor 1979 para controlar o crescimento demográfico, numa altura em que o país mais populoso do mundo passava por severas dificuldades económicas.

Além do desgosto que causava nas famílias, esta política trouxe um novo problema: o envelhecimento da população, comprometendo a própria sustentabilidade financeira da agora super potência económica. Até que, em janeiro de 2016, foi definitivamente abolida a lei que restringia o número de filhos a um por casal, passando a ser permitido, e até recomendado, ter dois. Prevê-se que esta medida traga trinta milhões de pessoas à força de trabalho em 2050.

Os resultados já estão à vista. E como se trata da China, onde vivem 1 384 milhões de pessoas, tudo acontece numa escala ampliada. Em 2016 nasceram 18,5 milhões de bebés, mais dois milhões do que a média. Este aumento teve um reflexo imediato no índice de fertilidade, que passou de 1,5 para 1,7.

As previsões são de que quando for adotada em pleno, os segundos filhos representem mais três a seis milhões de bebés por ano.

Esta mudança na lei trouxe um aumento dos lucros às empresas de fraldas e de leites, mas também às farmacêuticas que comercializam produtos relacionados com a fertilidade. Nos resultados da empresa alemã Merck, referentes a 2016, é bem claro o efeito "asas de borboleta a baterem na China". A farmacêutica é responsável pelo medicamento Gonal-f, muito usado em tratamentos de fertilidade - quer para estimular a produção de óvulos, quer a produção de esperma. Este aumento nas vendas estará relacionado com a tentativa de casais mais velhos de aproveitarem a mudança na lei para ainda poderem ser pais pela segunda vez.

Outro fator que terá contribuído para este aumento da natalidade terá sido a passagem, a oito de fevereiro do ano passado, do signo da cabra para o do macaco, o segundo melhor, alega-se no zoodíaco chinês (melhor ainda só o do dragão).