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O governo americano anda à caça de obras de arte

Mundo

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Este "Fourteenth Street at Sixth Avenue", de John Sloan, pintado em 1934, está avaliado em 700 mil euros e é a mais cara das obras até agora recuperadas

Reprodução Wikipedia

Há um mundo de arte por descobrir nos Estados Unidos: o Tio Sam quer recuperar as obras que financiou na altura da Grande Depressão e que desapareceram

Depois da queda da bolsa de 1929, viveram-se tempos negros nos EUA. Em 1933, a depressão económica havia já atirado um enorme número de americanos para a pobreza. Com o aumento do desemprego, também os artistas sofreram. Mas o presidente Franklin Roosevelt, propulsor do programa de recuperação económica que ficou conhecido como New Deal, recebeu de um velho amigo uma ideia útil - porque não pagar a artistas para produzirem murais e pinturas que “revitalizassem a expressão nacional”?

Juntou-se o útil ao agradável. No final desse ano, nascia um programa de obras de arte públicas que cresceu de uma forma sem precedente: terão sido mais de 200 mil as obras financiadas pelo governo, ao longo de oito anos. Entre os artistas contratados contavam-se nomes então desconhecidos mas que viriam a ficar para a História da arte, como Mark Rothko ou Jackson Pollock.

Atualmente, o Departamento de Investigação da Administração dos Serviços Gerais (GSA) anda em busca de muitas dessas obras, a que o Estado perdeu o rasto ao longo das décadas. “É definitivamente um problema de agulhas num palheiro”, descreve Jennifer Gibson, diretora da divisão responsável pela arte, ao site noticioso Atlas Obscura.

As obras podem estar em qualquer lado. E a lei americana é clara neste assunto - em circunstância alguma pode o governo abandonar a sua propriedade. A GSA tem, agora, em mãos a árdua tarefa de localizar e recuperar a arte, que, por ter tido nos contribuintes os seus mecenas, deve ser posta à sua disposição de forma gratuita, explica este gabinete federal.

Já houve muitos "finais felizes". É o caso de um quadro da pintora Anne Fletcher que, após ter sido oferecido por um professor a um jovem em 1970, foi encontrado pelo governo quarenta anos depois na casa da família. É uma das 578 peças já recuperadas, num valor acima dos 6,6 milhões de dólares (6,2 milhões de euros), que são ou serão reencaminhadas para edifícios públicos, como museus.

Para os americanos mais relutantes em devolver obras ao governo, o agente Eric Radwick, da GSA, tem uma resposta pronta: “O meu tio também perdeu muita arte há muitos anos. O meu tio é o Tio Sam.”