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Como Portugal é um ponto fraco do adversário de Merkel

Mundo

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Marcos Borga

Um dossier, compilado pelos conservadores alemães, aponta as fragilidades de Martin Schulz, entre as quais a sua complacência com Lisboa nas regras orçamentais.

Gisa Martinho

Gisa Martinho

Editora Executiva

Nove páginas de insinuações e puro veneno. Entre as fileiras conservadoras da CDU, partido de Angela Merkel, o incómodo com a popularidade de Martin Schulz é tal que já nem se esconde um dossier com os pontos fracos do novo candidato social-democrata (SPD). Herbet Reul, autor do dossier e líder da delegação dos conservadores alemães no Parlamento Europeu, enviou para Berlim uma lista de argumentos que marca o início das hostilidades entre os dois maiores partidos do país, que formam a “grande coligação” e governam a Alemanha desde 2013.

Na lista, de acordo com o documento visto pelo Politico.eu, está o lóbi que Schulz fez “junto ao presidente da Comissão para uma maior tolerância com Espanha e Portugal face ao incumprimento das regras orçamentais da zona euro”. Esta defesa dos dois países do sul europeu é apontada como um dos casos em que o adversário de Merkel, nas legislativas marcadas para setembro, esteve alegadamente contra os interesses alemães. Outro caso, que pode servir de ataque a Schulz, são as citações positivas quanto ao cenário da zona euro emitir eurobonds.

O dossier de Reul inclui ainda alegações de que Schulz terá ajudado a sua equipa a ser promovida e critica Schulz por defender que o espaço público “deve manter-se neutral” em termos religiosos – numa altura em que Merkel avançou com a proibição da burqa no país – e por ter feito campanha para presidente da Comissão Europeia quando era, em paralelo, presidente do Parlamento Europeu.

Uma “solução política à portuguesa”, com uma aliança à esquerda que integre o SPD, os Verdes e reabilite o Die Linke (antigos comunistas e dissidentes do SPD), também tem sido uma das armas de arremesso da CDU. Pela primeira vez, em mais de uma década, o partido de Merkel pode ser preterido nas eleições e uma sondagem do YouGov, divulgada esta terça-feira, mostra que 64% dos alemães preferiam ver uma cara nova na chancelaria este ano.

A 10 de fevereiro, Schulz trocou a presidência do Parlamento Europeu pela política interna alemã e, desde então, as sondagens mostram uma subida em flecha das intenções de votos no SPD. Entre 24 de janeiro e 7 de fevereiro, o partido ganhou mais 4 613 membros segundo dados dos media alemães, e a última sondagem, do jornal Bild, aponta para um ponto de diferença entre a CDU (33%) e o SPD (32%). Numa das sondagens mais recentes, Schulz até aparece em frente a Merkel, a mulher que conduz a Alemanha (e a Europa) há mais de onze anos.