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Renzi no lugar de Tusk para equilibrar?

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© Remo Casilli / Reuters

No tabuleiro das instituições europeias, todos os lugares ficam em risco com a saída de Martin Schulz do Parlamento Europeu

Que Martin Schulz está de saída do Parlamento Europeu não é novidade. Mas a saída do alemão pode significar muito mais do que a sua simples substituição.

O jogo de equilíbrios e forças de que é feita a União Europeia está em risco e basta mexer numa das peças para que todas as outras deixem de fazer sentido. O que parece ter o lugar mais frágil é Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, que termina o mandato em maio de 2017 e que vê a possibilidade de ser reeleito pelos chefes de Estado e de Governo da UE cada vez como uma maior utopia. O seu próprio país, a Polónia, está no pote dos que quer ver Tusk fazer malas. Sai Schulz, sai Tusk, fica Juncker?: "Até Juncker pode estar em perigo", avançou num encontro com jornalistas portugueses em Bruxelas, o vice-presidente do PPE Paulo Rangel.

É que no final deste jogo, a balança tem que estar equilibrada, dê por onde der. Equilibrada entre socialistas europeus e populares.

E entre grandes países (Alemanha, Itália, França, Polónia e Espanha). O que deixa uma hipótese em aberto: pode Matteo Renzi, o primeiro-ministro demissionário italiano sonhar com altos voos na UE? "Pode", responde Rangel.

Renzi demitiu-se da liderança do Governo de Itália nas últimas semanas, depois de os italianos terem rejeitado em referendo as alterações constitucionais que queria fazer.

E agora vê o seu nome aparecer como uma forte possibilidade para substituir Donald Tusk na presidência do Conselho Europeu.

Entre os eurodeputados do PPE é uma hipótese forte e permitiria manter os equilíbrios dos altos cargos, mesmo que o Parlamento Europeu eleja agora alguém do PPE, como querem. Para isso é preciso uma outra mudança: que Itália deixe de ter a Alta Representante para a Política Externa, Frederica Mogherini. O nome da italiana tem sido apontado como uma forte hipótese numas próximas eleições em Roma, o que dadas as circunstâncias pode muito bem acontecer antes do final do mandato de Donald Tusk, que termina em maio de 2017. Não passou, aliás, despercebido o facto de o porta-voz da Comissão Europeia Margaritis Schinas ter comentado numa das conferências de imprensa da semana passada a hipótese de Mogherini sair. Ao contrário do que é habitual, Schinas não recusou responder a uma pergunta hipotética e explicou que se a italiana sair, caberá aos Estados-membros, em consulta com o presidente da Comissão, indicar um novo Alto Representante. "Mas ela está muito ocupada com a política externa correto Maja?", rematou em tom de brincadeira Schinas dirigindo-se à porta-voz de Mogherini que estava na sala. Será? Com Renzi à frente do Conselho, a presidência do Parlamento Europeu fica sob menor pressão. "Com a saída de Schulz pode ter que sair Tusk. Porque o acordo de regime entre o PPE e SD pode estar aqui em perigo", assume Paulo Rangel. Esse acordo pressuponha que a Schulz sucedesse agora alguém do PPE. Mas rapidamente o líder dos socialistas na Europa, Giani Pitela, avançou com a sua candidatura ao cargo. E nestas votações, sempre secretas, é muito fácil que os acordos de regime não deem os resultados esperados. Há a convicção que Pitela pode até estar apenas a ganhar espaço para uma candidatura do Liberais, encabeçada por Guy Verhofstadt.

Se a confusão já não ia grande, juntemos-lhe outro factor adicional: a equipa da própria Comissão Europeia. Com a saída de Kristalina Georgieva para o Banco Mundial, Juncker tem um lugar livre.

O alemão Günther Oettinger assumiu a pasta do Orçamento que estava com a búlgara, acrescentando-lhe os Recursos Humanos. E para a sua antiga pasta, a Economia Digital, tudo aponta para que seja escolhido o português Carlos Moedas. De qualquer forma, Rangel alerta: "Juncker não será insensível às maiorias que se formem no Parlamento Europeu" e isso pode ter influência na "reformulação da Comissão", diz o eurodeputado português.