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Prémio Sakharov para mulheres iazidis escravizadas pelo Daesh

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Nadia Murad Basee, uma das galardoadas com o Prémio Sakharov 2016, é embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas

© Chris Wattie / Reuters

A luta das mulheres iazidis, que a VISÃO relatara em Março, valeu agora às iraquianas Nadia Murad Basee e Lamiya Ali Bashar, o prémio de Liberdade de Expressão do Parlamento Europeu. Recorde a história e as palavras de Farida Kalaf, a "menina que fintou o Estado Islâmico"

O Parlamento Europeu atribuiu esta quinta-feira o "Prémio Sakharov" 2016 de Liberdade de Expressão a duas ativistas da comunidade iazidi do Iraque, Nadia Murad Basee e Lamiya Ali Bashar, escravizadas sexualmente pelo autoproclamado Estado Islâmico durante meses.

A escolha foi feita esta mesma quinta-feira em conferência de presidentes da assembleia europeia, reunida em sessão plenária em Estrasburgo, anunciou o grupo político dos Liberais (ALDE), que propôs os nomes de Nadia e Lamiya para a edição deste ano do Prémio Sakharov.

Nadia Murad Basee e Lamiya Aji Bashar, foram escolhidas pelos esforços na defesa da comunidade yazidi e das mulheres que sobrevivem à escravidão sexual às mãos dos 'jihadistas' do Estado Islâmico, tendo-se tornado porta-vozes da sua comunidade na denúncia dos crimes de guerra e genocídio perpetrados pelo Daesh. (Em Março deste ano, a VISÃO contou a história e entrevistou Farida Kahalaf, também ela da etnia iazidi, que foi raptada pelos guerrilheiros do daesh e vendida como escrava sexual. RECORDE AQUI)

Ambas são oriundas de Kocho, uma aldeia iraquiana que foi tomada pelo Estado Islâmico em 2014, com centenas de mulheres e raparigas yazidis a serem raptadas e escravizadas sexualmente pela organização extremista.

O prémio deverá ser entregue a 14 de dezembro em Estrasburgo.

Os outros dois finalistas na edição deste ano do Prémio Sakharov eram o jornalista turco Can Dundarn, detido depois de o jornal que dirige ter noticiado o alegado contrabando de armas dos serviços de informações do país para rebeldes na Síria, e Mustafa Dzhemilev, líder tártaro na Crimeia (território ucraniano anexado pela Rússia), defende os direitos humanos e das minorias há mais de 50 anos.

O Prémio Sakharov da liberdade de pensamento, no valor de 50 mil euros, foi entregue em 2015, ao 'blogger' saudita Raif Badawi que cumpre uma pena de dez anos de prisão por "insultos ao Islão".

Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoly Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988.

Em 1999, o galardão foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e, em 2001, ao bispo Zacarias Kamwenho (Angola).

  • A menina que fintou o Estado Islâmico

    Mundo

    Farida Khalaf, da etnia iazidi, foi raptada pelos guerrilheiros do daesh e vendida como escrava sexual. Aguentou quatro meses num acampamento militar às mãos da brutalidade destes homens, até que conseguiu fugir. Numa conversa exclusiva com a VISÃO, recorda os tempos no inferno e como hoje tenta sobreviver ao estigma da violação e seguir em frente