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Lágrimas, abraços e missa no regresso de 21 das meninas raptadas pelo Boko Haram

Mundo

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PHILIP OJISUA / GettyImages

Há mais de dois anos que as estudantes estavam em poder do grupo extremista nigeriano. A sua libertação aconteceu em troca de quatro prisioneiros. E foi uma festa, o reencontro com as famílias

Gloria Dame chegou a viver durante um mês e dez dias sem comida. Numa outra ocasião, ia sendo atingida por uma bomba que o exército nigeriano lançou sobre a floresta. E estes são apenas dois episódios em mais de dois anos de sequestro, aqueles que esta estudante de Chibok, cidade do nordeste da Nigéria, decidiu contar durante a missa celebrada em sua homenagem, em Abuja. “Damos graças a Deus por nos termos reunido hoje de novo”, disse, emocionada.

Sequestrada na noite de 14 de abril de 2014, de uma escola secundária em Chibok, com mais 275 estudantes, Gloria foi obrigada a converter-se ao Islão pelo líder do grupo extremista Boko Haram. “Por isso, não podíamos rezar como estamos a fazer agora”, lembrou, três dias depois de ter sido libertada com outras 20 meninas, após negociações da Cruz Vermelha.

Estas 21 estudantes foram entregues ao governo na quinta-feira, na região de Banki, na fronteira com os Camarões, em troca de quatro prisioneiros pertencentes ao Boko Haram. Domingo puderam finalmente reencontrar-se com as suas famílias, na capital nigeriana, no meio de abraços e muitas lágrimas. “Todos podemos ver a alegria e as emoções dos pais”, comentou o ministro da Informação, Lai Mohammed.

O governante garantiu que as negociações com continuam até que todas as meninas sejam libertadas. Das 276 raptadas, ainda estarão em posse do grupo extremista 196 – dias depois do sequestro, 57 conseguiram fugir; e, em maio deste ano, foram encontradas duas, na floresta de Sambisa, no estado de Borno, considerado um dos últimos bastiões do Boko Haram.

O grupo continua a tentar estabelecer um estado islâmico extremista na Nigéria. E, embora o exército tenha conseguido recuperar território aos jihadistas, o presidente, Muhammudu Buhari, continua debaixo de crítica por estar a demorar tanto a libertar as estudantes sequestradas.