Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Anúncio à Uber trama a estrela do debate Hillary-Trump

Mundo

  • 333

DR

Da plateia, fez uma pergunta nada polémica aos candidatos à Casa Branca, no debate do último dia 9, e num ápice, sem que alguém o conseguisse explicar, tornou-se numa sensação na net. Mas os dias de glória de Ken Bone parecem ter acabado, a partir do momento em que aceitou promover um serviço de luxo da Uber. "Vendeste-te depressa, hem, Ken?" É só uma da enxurrada de mensagens de desilusão que está a receber

Algo anafado, camisola vermelha, bigode arranjado e óculos. Kenneth Bone, 34 anos, interveio já quase no final do segundo debate entre Hillary Clinton e Donald Trump para lhes colocar uma pergunta incontroversa: "Quais as medidas que vão tomar relativamente à política de energia de forma a garantir as necessidades energéticas e, ao mesmo tempo, continuar amiga do ambiente e minimizando o desemprego para quem trabalha com energias fósseis?"

Talvez tenha sido pela maneira séria e genuína como o homem da camisola vermelha, casado e com filhos, pôs a questão, num debate dominado pela troca de insultos entre Trump e Hillary, que a internet ficou ao rubro com uma espécie de novo herói. Na verdade, não há outra explicação para os comentários nas redes sociais terem considerado, quase em uníssono, a intervenção e a figura de Ken Bone, operário no ramo das energias fósseis, como o momento mais divertido e entusiasmante do debate.

O certo é que camisolas iguais à que Ken Bone vestiu naquela noite, para se sentar na plateia do debate, rapidamente esgotaram na Amazon. Depois, o rapper Snoop Dogg convidou-o para fumarem um charro juntos e um site pornográfico ofereceu-lhe um contrato de 100 mil dólares (mais de 90 mil euros).

Ken Bone foi angariando fãs ao relatar na sua conta do Twitter episódios tranquilos do quotidiano desde a aparição no debate. Até que há dias publicou um post a promover o UberSELECT, um serviço de luxo da plataforma, e o seu (breve) reinado de novo herói acidental da América começou a desmoronar-se. Na volta, recebeu uma enxurrada de mensagens de indignação. "Ken, não sejas um vendido"; "Ou morres como um herói ou vives o suficiente para te veres tornar num vilão"; "Vendeste-te depressa, hem, Ken?" - são apenas três exemplos que traduzem o coração partido da esmagadora maioria dos seus 212 mil seguidores no Twitter.

Outros, poucos, compreendem-no. "Um homem como tu precisa de dinheiro para manter o estilo. Por mim, tudo bem." Ou: "Que bom para ti, Kenny."

O tweet da polémica é engenhoso. Ken começa por brincar com o facto de toda aquela gente estar à espera de que ele diga se vota Trump ou Hillary. "Já decidi", escreveu. E a escolha foi a "UberSELECT, que te ajuda a viajar com estilo, como eu".

Segue-se no tweet um link que conduz ao site da Uber e a um post sobre o novo serviço de luxo. O UberSELECT é apresentado como "uma viagem que tanto vale um fato de cerimónia como uma camisola vermelha", numa alusão direta à indumentária de Ken Bone no debate. Mais: o post destaca que o operário no ramo das energias fósseis foi a primeira pessoa a usar o serviço de luxo em St. Louis, de onde é natural e onde teve lugar o debate.

Ken também anuncia que vai lançar, para venda, uma T-shirt com a sua cara e a palavra "Bone", num design que faz lembrar os famosos posters de Obama com a afirmação Hope. Já não se lhe augura grande sucesso.