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Os desatinos do playboy que vai ser rei da Tailândia

Mundo

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© Chaiwat Subprasom / Reuters

Maha Vajiralongkorn é um controverso playboy. Na Tailândia, todos lhe conherem o nome e a reputação. Agora habilita-se a ser a maior dor de cabeça para a casa real tailandesa e para a junta militar que governa aquele país. É que ele é o sucessor do rei Bhumibol Adulyadej, cuja morte foi oficialmente anunciada esta quinta-feira, 13.

Nasceu para ser rei. E foi educado para tal. Estudou numa academia militar australiana e ostenta vários títulos militares, além de um brevet de piloto. O problema com ele é o de ter construído, desde a década de 70, uma reputação medonha, mostrando pouco ou nenhum interesse pelos assuntos do Estado, como compete a um aspirante a monarca. É tido como mulherengo e extravagante, dado a bizarrias e a crueldades ocasionais, que chegaram a incluir os próprios, aos quais mandou retirar nome e títulos, obrigando-os a exilarem-se.

As suas extravagâncias saltaram para as páginas da imprensa internacional, quando, em 2007, uma fuga de informação trouxe a público um vídeo mostrando a sua mulher Srirasm semi-nua durante uma festa de anos em que o cão do casal, Foo Foo.

Aliás, o próprio Foo Foo esteve no centro de mais do que uma polémica protagonizada pelo príncipe herdeiro. A mais bizarra foi ter nomeado o seu caniche marechal da Força Aérea. E quando o animal morreu, no ano passado, o cão foi cremado após quatro dias consecutivos de rituais budistas.

No país vigoram severas leis contra crimes de “lesa majestade”. Criadas para prevenir ataques difamatórios contra o rei Bhumilok, tem servido também para silenciar a imprensa relativamente às diatribes do príncipe herdeiro. Mas isso não impede que a conduta do príncipe herdeiro não seja comentada. Segundo o jornal Guardian, os mexericos abundam no país e atravessam todas as camadas sociais, das classes mais populares à elite que, no curto prazo, o irá ajudar a governar.

É essa conduta que o torna, há anos, um sucessor extremamente impopular. Entre os telegramas diplomáticos norte-americanos tornados públicos pelos ativistas do WikiLeaks, há um de 2010 que fala em como o desagrado pelo príncipe é endémico na sociedade tailandesa. Segundo esse documento, o conselho privado do rei terá mesmo discutido as suas preocupações quanto ao príncipe herdeiro incluindo a sua intromissão em assuntos políticos e a suas “transações financeiras embaraçosas”.

De acordo com o telegrama transmitido pela embaixada dos EUA ao Departamento de Estado, um antigo primeiro ministro terá mesmo comentado que a opinião generalizada entre os tailandeses seria a de que, aos 57 anos de idade, o príncipe herdeiro seria incapaz de corrigir o seu comportamento e que, naquela altura, havia a esperança entre as elites de o rei designar a princesa Maha Chakri Sirindhorn como herdeira. Mas tal não é possível, uma vez que a legislação do país especifica um sucessor masculino.

Maha Vajiralongkorn não tem o carisma do pai, nem dado sinais da sua vontade em prestar um serviço ao país. Segundo o Guardian, prefere o uso da violência e do medo para impor a sua posição. E nos últimos meses tem levado a cabo purgas tanto no círculo restrito do pai como no seu próprio e no da família de uma das suas três ex-mulheres.

O príncipe tem estado de boas relações com políticos caídos em desgraça, como o milionário Thaksin Shinawatra (ex-primeiro-ministro), que lhe ofereceu um carro de luxo em 2002. Entratanto, também os generais da junta militar o começaram a cortejar, para não o deixar vulnerável às investidas de um adversário político deles que consideram populista.

Desde então têm tentado melhorar a imagem do herdeiro com uma campanha de relações públicas. Apresentam-no como um homem enérgico, devoto aos pais e o oposto da decadência e da saúde supostamente frágil de que dão conta os rumores. Mas isso não faz com que os rumores cessem nem os receios de muitos agora já não acreditam numa transição pacífica para uma democracia baseada numa monarquia constitucional.