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Republicanos em retirada

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© Jim Young / Reuters

O speaker da Câmara do Representantes, Paul Ryan, quer distância do candidato republicano. Ainda não retirou o voto em Donald Trump, mas não vai participar em nenhum ato de campanha e quer passar o próximo mês a preparar a oposição a Hillary Clinton

Gisa Martinho

Gisa Martinho

Editora Executiva

Donald Trump começa a sentir o peso da distância de cada vez mais republicanos. Numa vaga de desafetos, o candidato republicano à Casa Branca viu Paul Ryan distanciar-se das fileiras da campanha. Em conversa com o núcleo duro do partido republicano, o speaker da Câmara das Representantes renunciou a aparecer em mais atos de campanha ao lado de Trump, admitiu que o seu objetivo é manter as atuais maiorias no congresso e preparar a oposição a Hillary Clinton.

A mensagem de Ryan coincidiu com a divulgação de uma nova sondagem da NBC e Wall Street Journal que mostra que a candidata democrata está 14 pontos à frente de Trump.

"Paul Ryan devia gastar mais tempo a tratar do orçamento, do emprego e da imigração ilegal e menos tempo a combater o candidato republicano", reagiu Trump, através do Twitter.

A campanha republicana está em crise desde que na passada sexta-feira foi divulgado um vídeo, de 2005, em que Trump aparece a dizer que pode abusar sexualmente das mulheres porque é "uma estrela". Trump pediu entretanto desculpas pelo comentário sexista, mas já era tarde para reconquistar pesos-pesados do partido, como John McCain, que disputa o lugar de senador pelo estado de Arizona.

A relação de Trump com o establishment republicano bate mínimos históricos, em particular depois do magnata ter optado por uma estratégia de campanha oposta à recomendada pelo partido. Os republicanos desaconselharam a referência ao caso da Sala Oval, entre Bill Clinton e Monica Lewinsky, e Trump optou por fazer uma conferência de imprensa – pouco antes do segundo frente a frente com Hillary – para apresentar quatro mulheres que terão sido assediadas pelo antigo Presidente dos EUA. E depois convidou-as para assistir ao debate.

A falta de sintonia política estende-se também ao homem escolhido para vice-presidente. Mike Pence e Donald Trump tem ideias diferentes de como agir na guerra na Síria. Se Pence defende ataques militares contra as forças do presidente Bashar al-Assad, Trump "discorda" a admite que nunca falaram sobre o assunto.

A "guerra interna" no partido republicano obrigou ontem o presidente do Comité Nacional, Reince Priebus, a declarar que continua em total coordenação com a campanha de Trump e tem "uma grande relação com ele".