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Quatro países pedem clarificação por avanço de Georgieva à ONU

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Bryan Bedder / GettyImages

Angola, Rússia, Uruguai e Malásia enviaram uma carta ao governo de Sofia a pedir informação extra sobre a troca do apoio búlgaro de Irina Bokova para Kristalina Georgieva na corrida a Secretário-geral da ONU

Gisa Martinho

Gisa Martinho

Editora Executiva

A poucos dias da primeira votação “qualificada” do Conselho de Segurança, Moscovo mostra um incómodo crescente pela candidatura de última hora da búlgara Kristalina Georgieva à ONU e, em particular, pela troca de apoio do governo de Sofia. A Rússia e mais três membros não permanentes do atual Conselho de Segurança – Angola, Malásia e Uruguai – enviaram uma carta à Búlgaria a pedir mais esclarecimentos sobre o processo de candidatura de comissária europeia do Orçamento.

Na carta, citada pela agênca AFP, o quarteto pergunta se Georgieva é a “única e exclusiva candidata” de Sofia uma vez que a primeira pessoa a ter o apoio búlgaro, Irina Bokova, atual directora-geral da Unesco, já avançou que não se retira da corrida a secretário geral da ONU. Ao fim de cinco votações informais - em que António Guterres ficou em primeiro lugar entre nove candidatos -, Bokova desceu para sexto com mais votos de desencorajamento que de encorajamento.

A diretora geral da Unesco é, no entanto, dada como a favorita da Rússia para substituir Ban Ki-moon, ainda que o processo aberto de audições a tenha deixado numa posição frágil. O próprio primeiro-ministro búlgaro Boyko Borisov já disse que Georgieva tem “mais hipóteses de sucesso”.

A entrada tardia esta semana de Georgieva, que entra fresca e sem o desgaste de cinco votações informais, tem sido alvo de várias críticas. O embaixador da Ucrânia na ONU – outro país entre os membros não permanentes do Conselho de Segurança – disse que o processo desta nova candidatura “não sido o mais correto”. Georgieva, que entretanto goza de uma invulgar licença sem vencimento em Bruxelas, é uma aposta de Angela Merkel seguida pouco discretamente pela Comissão Europeia.

No dia 5 de outubro está marcada a primeira votação em que os votos dos membros permanentes do Conselho de Segurança (Rússia, EUA, Reino Unido, França e China), com direito de veto, serão conhecidos. António Guterres, até aqui, teve o apoio de 12 membros, dois votos de desencorajamento e um neutro. Se os dois votos forem de um ou dois membros permanentes do CS, a candidatura portuguesa sofre um abalo que pode ser fatal.