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Guerra aberta no partido socialista espanhol

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A comissão de ética e garantias do PSOE decretou hoje a queda da direção do partido. E pede também que o líder Pedro Sánchez seja substituído por uma comissão gestora

Gisa Martinho

Gisa Martinho

Editora Executiva

© Jon Nazca / Reuters

A crise no partido socialista espanhol agravou-se esta tarde com os órgãos do PSOE a deliberar diferentes soluções depois da saída em massa de 17 membros da comissão executiva, em choque com o líder Pedro Sánchez.

A Comissão de Ética e Garantias do partido decidiu hoje que não há condições para se manter a atual direção e recomenda que se crie uma comissão gestora para a liderança. Já os partidários de Sánchez alegam que os membros que sobraram, 18, continuam em “funções” como “interinos”. A comissão executiva do PSOE tem 35 membros e mais de metade já saíram nos últimos dias – só na quarta-feira foram 17. As declarações esta semana do histórico Felipe González, “indignado” com o “não” definitivo de Sánchez à investidura de Rajoy precipitaram este movimento. “Sinto-me frustado, como se tivesse sido enganado”, disse González à cadeia SER, depois de explicar que o líder socialista lhe havia garantido “que numa segunda votação se absteria para não impedir a formação do governo”.

A nomeação de uma gestora aconteceu em 2000 após a demissão de Joaquín Almunia de secretário-geral do PSOE. Nessa altura houve um acordo sobre qual o caminho a seguir, ao contrário de hoje em que o partido parece dividido em dois. Sánchez está disposto a manter-se na liderança mas os seus críticos – os barões socialistas – preferem um novo comité federal para avaliar as consequências de novas eleições de dezembro.

A 31 de dezembro termina o prazo para que haja governo em Espanha ou se convoquem novas eleições, as terceiras no espaço de um ano. Metade dos eleitores socialistas não querem facilitar hoje um governo PP, liderado por Mariano Rajoy, de acordo com uma sondagem da Metroscopia, citada pelo El Pais. Em Julho essa percentagem era de 35%. Nesse mesmo mês, os socialistas provaram por unanimidade no último comité federal o “não” a uma solução de governo de Rajoy.