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Shimon Peres: O dia em que o mundo perdeu um dos mais relevantes estadistas da paz

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© Reuters Photographer / Reuter

Morreu hoje, aos 93 anos, Shimon Peres, um dos nomes mais relevantes da política Israelita. As cerimónias fúnebres celebram-se na próxima sexta-feira

Se fosse vivo, o matemático francês Augustin-Louis Cauchy teria dito sobre Shimon Peres “O homem morre mas a sua obra fica”... para sempre na história de Israel.

Nasceu em Wiszniewo, na atual Bielorrúsia, mas cedo (aos 11 anos) chegaria à Palestina. Pouco tempo depois passou a integrar o Movimento Juvenil Sionista Trabalhista, onde defendeu a existência de um Estado Nacional Judaico.

Estava lançado o mote para uma carreira política notável: integrou as atuais Forças de Defesa Israelitas quando ainda se chamavam Forças Parlamentares Judaicas, foi ministro do Interior, ministro dos Negócios Estrangeiros e duas vezes Primeiro-Ministro, sempre nomeado e nunca eleito.

Em 1994, venceu o prémio Nobel da Paz em parceria com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, depois de os três terem assinado os acordos de Oslo, que reforçaram a autonomia da Palestina.

A vida política terminou em 2014, após ter sido eleito Presidente de Israel em 2007.

Pelo caminho casou com Sonya Gelman, que faleceu em 2011, e teve 3 filhos e 8 netos. Uma vida cheia da qual ficam também alguns livros: “O Novo Médio Oriente” (a sua obra mais citada), “Diário da Intifada” e “Na Batalha pela Paz”.

A sua grande luta foi sempre a paz entre os países vizinhos. E seus principais lemas eram estes: “É melhor ser controverso pelas razões certas do que popular pelas razões erradas”; “Se um problema não tem solução, pode não ser um problema mas um facto – não para ser resolvido, mas para ser ultrapassado com o tempo”; "O mais importante na vida é arriscar. O mais complicado é ter medo. E a coisa mais inteligente do mundo é tentar ser uma pessoa com moral"; "Para mim, sonhar é simplesmente ser pragmático."

O líder dos discursos inspiradores morreu na madrugada desta quarta-feira no Hospital de Telavive, aos 93 anos. Estava internado há duas semanas em coma induzido, depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral. Era o último sobrevivente da geração dos denominados "Pais de Israel".

A morte foi anunciada por um dos filhos que, numa conferência de imprensa que deu no hospital, disse: "Tivemos o privilégio de pertencer à sua família, mas hoje sentimos que toda a nação de Israel e a comunidade global partilham a nossa perda. Partilhamos esta perda em conjunto."

Reações à morte

Portugal: Marcelo Rebelo de Sousa recordou o "seu compromisso com a paz no Médio Oriente, construída numa solução política e histórica duradoura".

França: François Hollande disse que o antigo chefe de Estado israelita foi um dos "mais fervorosos defensores da paz" e um "fiel amigo" da França.

Alemanha: Joachim Gauck lembrou a sua "vontade forte em fazer avançar os processos de paz com os palestinianos" e caracterizou a sua missão de paz como "um exemplo para os jovens".

Estados Unidos: Barack Obama chamou-o de "amigo que nunca deixou de acreditar na paz" e "pai fundador do Estado de Israel". Bill Clinton, o mediador dos Acordos de Oslo, caracterizou-o como um "fervoroso defensor da paz, da reconciliação e de um futuro em que todas as crianças de Abraão construirão um amanhã melhor".

Israel: O Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, expressou "o seu profundo pesar pessoal pelo desaparecimento do filho pródigo da nação", lê-se num comunicado.

Nomes de peso no último adeus

O funeral de Shimon Peres está marcado para esta sexta-feira, 30, no cemitério do Monte Herzl, em Jerusalém, numa cerimónia de Estado.

O corpo ficará enterrado na secção reservada aos "grandes da Nação" e está prevista a presença de nomes de peso como Barack Obama, Angela Merkel, François Hollande, Justin Trudeau, o casal Clinton ou o príncipe Carlos. Portugal será representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

A segurança será redobrada no Aeroporto internacional de Ben-Gurion, já com muito movimento por causa do Rosh Hashana - o ano novo judaico. A logística implicou a realização de uma reunião de emergência, convocada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, uma vez que há muito que o país não recebe tantos líderes mundiais.

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    Do Papa aos principais chefes de Estado, Shimon Peres privou de perto com os grandes líderes mundiais. Mas nenhum esteve tão presente como o que habitava do outro lado da fronteira, o palestino Yasser Arafat, com quem negociou vários acordos de paz e partilhou o Nobel, em 1994