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Tudo o que precisa de saber sobre o debate entre Trump e "ela", também conhecida por Hillary

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© Brian Snyder / Reuters

O essencial do primeiro debate presidencial nos Estados Unidos em oito tópicos para ler em passo de corrida. Dá tempo, ainda assim, para Donald Trump fungar várias vezes

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Foram 90 minutos de golpes no adversário, alguns mais baixos do que outros, sempre em ritmo acelerado. Mas, no meio de tanto ataque e contra-ataque - só possíveis face à passividade do 'árbitro', o jornalista da NBC Lester Holt, que 'deixou jogar' -, importa reter o que de mais interessante se passou no primeiro debate televisivo entre Hillary Clinton e Donald Trump. A VISÃO dá uma ajuda com estes oito tópicos de leitura rápida:

1 – Ela. Começou por referir-se à opositora como sra. Secretária de Estado (cargo que ocupou durante anos), mas depressa trocou a deferência por três letrinhas. She, she, she – ou ela, ela, ela. Foi assim que Donald Trump tratou Hillary Clinton ao longo de quase todo o debate. Ela - perdão, Hillary - chamou-o quase sempre pelo primeiro nome, Donald.

2 – Mentiras. Vários jornais, do The New York Times ao The Guardian, analisaram à lupa cada declaração dos dois candidatos, e apanharam-nos em falso. Num desses casos, Hillary acusou Trump de ter apoiado a invasão do Iraque em 2003, ao que o candidato republicano retorquiu: "Errado." Na verdade, está certo. No programa de rádio de Howard Stern, quando lhe foi perguntado se os Estados Unidos deveriam atacar Saddam Hussein, respondeu: "Sim, creio que sim. Quem me dera que da primeira vez tivesse sido feito corretamente."

3 – Stamina. Os analistas atribuem a vitória no debate à antiga primeira dama. Uma das suas intervenções mais fortes aconteceu após o moderador ter desafiado Donald Trump a esclarecer o que quis dizer quando afirmou que Hillary não tinha uma "aparência presidencial" - o que fez a candidata democrata desmanchar-se a rir. "Não tem a aparência nem a energia (stamina). Eu disse energia. Para se ser presidente deste país é preciso uma energia tremenda", carregou Trump, ignorando a tentativa do moderador para interromper: "Espere um minuto. Fez-me uma pergunta, não fez?". E reforçou a sua ideia, antes de Hillary tomar a palavra: "Assim que ele viajar por 112 países e negociar um acordo de paz, um cessar-fogo, a libertação de dissidentes, a criação de novas oportunidades em nações pelo mundo fora, ou assim que ele passar 11 horas a testemunhar perante o congresso, ele pode falar comigo sobre energia."

4 – Fungar. Trump passou o debate a fungar e o barulhinho de fundo tornou-se tão presente que está hoje em alta rotação no Twitter. "Precisas de um lenço, Donald?", pergunta o The Huffington Post.

5 – Tiro no pé. Perante a insinuação de ter fugido ao fisco, Trump nem se deu ao trabalho de negar. Respondeu assim: "Isso faz de mim um tipo esperto." O que faz de todos os que pagam impostos... burros?

6 – Humor não correspondido. A certa altura, Hillary troça do adversário, divertida: "Tenho a sensação que ao fim da noite vou ser culpada de tudo o que alguma vez aconteceu." Trump não se conteve: "Porque não?".

7 – Moeda mexicana em alta. É conhecida a intenção de Donald Trump de construir um muro na fronteira com o México, além de outras medidas para combater a emigração e o contrabando. Mas a sul da fronteira também se receia as consequências económicas que o país pode sofrer, a nível dos acordos comerciais, no caso de Trump se tornar presidente dos EUA. Foi por isso que o peso mexicano, próximo do seu valor mínimo histórico antes do debate, disparou face ao dólar ainda durante o embate, refletindo o sentimento de que o desempenho de Hillary superou o do rival.

8 - KO nas interrupções. O site de notícias Vox contou as vezes que os candidatos se interromperam. Trump ganhou por KO, ao cortar a palavra a Hillary em 51 ocasiões, enquanto o contrário aconteceu 17 vezes.