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A maquilhagem de Donald Trump

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O cumprimento entre Pena e Trump

YURI CORTEZ

No México, o candidato republicano tentou mudar a imagem de radical empenhado em perseguir os imigrantes hispânicos. Mas no Arizona regressou à velha cartilha

Com a campanha a derrapar, com as sondagens a apontar para um resultado eleitoral dececionante, com Hillary à frente, Donald Trump decidiu visitar ontem o México, onde foi recebido por Enrique Peña Nieto, o presidente do país vizinho.

A decisão de Donald Trump, nomeado pelos Republicanos à corrida presidencial dos Estados Unidos da América, foi tomada contra a opinião de Roger Ailes, o anterior presidente da FOX News, que agora o assessora e considerou a visita um risco desnecessário. Mas prevaleceram as opiniões de Rudolph W. Giuliani, ex-presidente da Câmara Municipal de Nova Iorque, e de Chris Christie, governador de New Jersey, dois dos principais apoiantes de Trump. Era necessário, defenderam, dar uma imagem de homem de Estado e de mudar a perceção de um candidato incapaz de seduzir o eleitorado hispânico.

No México, Trump foi contido, seguindo o guião que Giuliani e Christie lhe traçaram. “Pessoas trabalhadoras, espetaculares, espetaculares”, disse Trump dos americanos de origem mexicana. “Tenho grande respeito por eles e pelos seus fortes valores de família, fé e comunidade”, acrescentou.

Não era uma visita fácil. Nieto havia comparado o discurso de Trump durante a campanha das primárias norte-americanas ao de Mussolini e ao de Hitler, numa entrevista concedida a um canal de televisão. “Estas expressões, esta retórica estridente, só levaram a cenários fatídicos na história da humanidade”, considerou então.

Ontem, o tom foi mais conciliador. “Os mexicanos sentiram-se ofendidos por comentários formulados mas estou certo que ele [Trump] tem um genuíno interesse na construção de uma relação que permita dar melhores condições ao nosso povo”, disse o Enrique Nieto na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro. O presidente mexicano não se livrou, contudo, de contundentes críticas, por receber Donald Trump. “Não é corajoso encontrar-se em privado com alguém que insultou e denegriu os mexicanos”, defendeu Enrique Krauze, um historiador, que comparou o encontro entre os dois políticos ao de Chamberlain, primeiro-ministro britânico, com Hitler, me Munique, em 1938.

Já Trump, embora não tenha formulado o pedido de desculpas pelo qual muitos mexicanos esperavam, dirigiu-se a Nieto como “amigo”, no encontro com os jornalistas. E em resposta aos repórteres, garantiu que não foi abordada a questão da construção do muro na fronteira com o México, uma das suas propostas mais controversas. Donald Trump tem sistematicamente defendido que a proteção fronteiriça deve ser paga pelo próprio governo mexicano.

No mesmo dia, em Phoenix, apesar das tentativas para maquilhar as suas propostas sobre a imigração, Trump voltou a ser Trump. No comício agendado para a capital do Estado do Arizona – um dos que faz fronteira com o México – o candidato republicano defendeu, então, que deve ser o México a pagar a conta da construção do muro com que pretende defender a fronteira sul dos Estados Unidos. E também manteve a proposta de criar uma força policial especial para deportar os ilegais – estimados em cerca de 11 milhões – embora, agora, o seu foco sejam apenas os que cometeram crimes. Referindo-se à sua adversária na corrida presidencial, disse que o plano de Clinton “é abrir as fronteiras e deixar toda a gente entrar e destruir o país”. E acrescentou, a uma multidão eufórico: “Talvez devamos deportá-la”.

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