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O que se vai sabendo sobre os "Papéis do Panamá"

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Altas figuras da Frente Nacional, de França, terão usado o Panamá para fazer sair dinheiro do país. O presidente argentino nega ilegalidades. A VISÃO continua a compilar as principais reações e consequências da mega-fuga de informação divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação

Próximos de Le Pen usam 'offshore' para tirar dinheiro de França

Figuras muito próximas da líder da Frente Nacional francesa terão montado um "sistema sofisticado" de utilização de praças "offshore" para fazer sair dinheiro de França, avança hoje o jornal Le Monde, baseando-se no caso dos "Papéis do Panamá".

De acordo com o diário francês, elementos do "primeiro círculo de fiéis" de Marine Le Pen "puseram em prática um sistema 'offshore' sofisticado" para tirar dinheiro de França.

"O sistema, entre Hong Kong, Singapura, as Ilhas Virgens Britânicas e o Panamá", foi "utilizado para fazer sair dinheiro de França, através de sociedades fictícias e de faturas falsas, com o objetivo de escapar aos meios franceses para evitar o branqueamento de capitais", adianta o jornal. (Fonte: Lusa)

Presidente argentino nega qualquer ilegalidade

O Presidente da Argentina, Mauricio Macri, mencionado, com o pai, nos designados "Papéis do Panamá", negou, na segunda-feira, qualquer ilegalidade.

Mauricio Macri disse que a constituição da empresa Fleg Trading, de que foi diretor e é referida na lista, foi "legal" e que "não houve nada de estranho" nessa operação.

"No caso particular que a mim me compete, é uma operação legal, feita por outra pessoa, constituindo uma sociedade 'offshore' para investir no Brasil, um investimento que finalmente não foi feito enquanto eu fui diretor", disse numa entrevista ao diário La Voz del Interior.

O chefe de Estado argentino, que assumiu a presidência em dezembro passado, depois de uma carreira no grupo empresarial do pai - o italiano Franco Macri -, e como dirigente desportivo, explicou que a sociedade, constituída nas Bahamas, deixou de operar em 2008 "porque não realizou o investimento" planeado no Brasil.

"Não há nada de estranho nessa operação", insistiu Macri, garantindo que a mesma foi declarada na Direção Geral de Impostos da Argentina porque o seu pai criou essa sociedade "com recursos genuínos que tinha na Argentina".

Por sua vez, Franco Macri disse que o seu filho mais velho não teve participação no capital da Fleg Trading, empresa que aparece mencionada nos "Papéis do Panamá".

Franco Macri disse em comunicado que essa sociedade era propriedade sua e que foi "devidamente declarada perante as autoridades competentes, em especial, às autoridades fiscais na República Argentina". (Fonte: Lusa)

Petro Poroshenko não vai ser investigado:

O jornal alemão Süddeutsche Zeitung diz que não haverá uma investigação oficial contra o presidente ucraniano Petro Poroshenko. As leis do país não permitem que um presidente em funções seja investigado por uma agência de anti-corrupção.

(Fonte: http://www.sueddeutsche.de/politik/panama-papers-panama-papers-setzen-weltweit-ermittler-in-bewegung-1.2932195)

No Twitter, Petro Poroshenko declarou-se o primeiro responsável da Ucrânia que leva a sério temas como a declaração de bens, os impostos e conflitos de interesse"

Pressão na Islândia

O primeiro-ministro, Sigmundur David Gunnlaugsson, está a ser pressionado para se demitir. Mais de 16 mil islandêses já assinaram uma petição para que o primeiro-ministro se demita. A oposição diz que vai avançar com uma moção de censura ainda esta semana, mas o chefe do Governo já comunicou, na televisão, que não abandona o cargo. Gunnlaugsson pediu, no entanto, desculpas ao povo islandês.

Para seguia a manifestação em frente ao Parlamento, em direto: https://www.youtube.com/watch?v=qMT2zZcvIi8

Putin como alvo

Um porta-voz do Kremlin de Moscovo diz que, "apesar de Putin não aparecer diretamente nos documentos, e apesar de outros países e líderes serem mencionados, é claro que o alvo de informações como estas é o presidente, especialmente tendo em conta as próximas eleições parlamentares e, em última instância, as eleições presidenciais, daqui a dois anos." Em causa estará uma rede de negócios em off-shores e empréstimos no valor de 2 mil milhões de dólares

(Fonte: http://sputniknews.com/politics/20160404/1037446417/kremlin-panama-leak.html#ixzz44r7FPOPs)

O que são os Panama Papers?

São cerca de 11 milhões de documentos e 2,6 terabytes de informação ligados à empresa Mossack Fonseca, sediada no Panamá e especializada em off-shores.

Em números:

- 4,7 milhões de emails;

- 3 milhões de informações em base de dados;

- 2 milhões de documentos em formato PDF;

- 1 milhão de imagens;

- meio milhão de mensagens.

Em causa estão políticos de todo o mundo, além de celebridades e banqueiros que ocultaram fortunas para fugir ao fisco.

Até agora, sabe-se que estão envolvidos, entre outros:

- Vladimir Putin, presidente da Rússia, bem como o seu grupo de amigos e alidados;

- O Presidente da Argentina, Mauricio Macri;

- O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, que abandonou uma entrevista à televisão sueca SVT;

- O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko;

- O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif;

- O rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdulaziz;

- O pai do primeiro-ministro britânico David Cameron, Ian Donald Cameron;

- O filho do ex-secretário geral da ONU Kofi Annan, Kojo Annan;

- O futebolista Lionel Messi;

- O ator Jackie Chan;

- O ex-presidente da UEFA Michel Platini

- O atual presidente do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, e pelo menos 8 atuais ou antigos membros do partido

Há ainda um português envolvido: Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, dono do Lusitania Group, sediado nas Ilhas Virgens Britânicas. Terá transferido dinheiro para políticos envolvidos no caso Lava Jato.

Até agora não se sabe quantos norte-americanos estão envolvidos. No entanto, uma fonte do jornal alemão Süddeutsche Zeitung disse que é uma questão de tempo, apontado para a possibilidade de haver vários americanos envolvidos.

Na lista negra do terrorismo:

O diário israelita Haaretz diz que das empresas e pessoas divulgadas, 33 estão na lista negra dos Estados Unidos por fazerem parte de organizações terroristas e por serem acusadas de evitar sanções económicas.

(Fonte: http://www.haaretz.com/world-news/1.712497)