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Só em indemnizações, Mourinho já embolsou 50 milhões

Futebol

Clive Rose / GettyImages

Após dois despedimentos no Chelsea, em 2007 e 2015, o treinador português volta a receber uma compensação avultada ao ser afastado do cargo no Manchester United. O bolo deve chegar agora aos 50 milhões de euros – e isto porque José Mourinho aceitou deixar o Real Madrid, em 2013, sem contrapartidas financeiras

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

É a terceira vez que José Mourinho é demitido em Inglaterra e em comum a todas elas, além dos maus resultados e da incompatibilidade insanável com alguns pesos pesados do balneário, existe um cheque milionário depositado na conta do treinador português.

Para o despedir do Chelsea, o que aconteceu em dois momentos, Roman Abramovich teve de o indemnizar em 26,5 milhões de euros, em 2007, e em 9,5 milhões, em 2015, embora parte desses montantes tenha sido canalizada para outros elementos da equipa técnica igualmente dispensados. Agora é a vez de o Manchester United desembolsar uma verba que, segundo o The Guardian, não deve ultrapassar os 16,5 milhões de euros, abaixo dos mais de 25 que Mourinho receberia se levasse o contrato até ao fim, em julho de 2020.

No total da carreira, o técnico de 55 anos deve ultrapassar agora a fasquia dos 50 milhões de euros recebidos em indemnizações por despedimento, sempre em Inglaterra. Da União de Leiria, do Benfica, do FC Porto e do Inter de Milão, outros clubes que treinou, Mourinho partiu sempre por vontade própria. E quando deixou o Real Madrid, em 2013, aceitou a proposta de Florentino Pérez para sair numa espécie de acordo de cavalheiros, sem lugar à compensação monetária a que tinha direito.

Foi a exceção à regra num percurso que, cada vez mais, segue um padrão de comportamentos e resultados estranhamente repetitivos. Às conquistas dos primeiros tempos têm-se sucedido desaires inexplicáveis, más exibições e confrontos com alguns dos principais jogadores – agora Pogba, Martial ou Sanchez, antes Sergio Ramos, Pepe ou Fàbregas -, numa espiral negativa imparável até à “chicotada psicológica” inevitável.

Com Mourinho, a tempestade vem depois da bonança. No Manchester United, a história recente da sua carreira de treinador repetiu-se, tendo atingido o expoente máximo na conquista da Liga Europa, logo na primeira época, para depois entrar em queda livre até ao colapso final, cada vez mais associado à sua terceira temporada nos últimos clubes por onde tem passado. A derrota por 3-1 em Liverpool, frente ao histórico rival, no passado fim de semana, foi a gota de água nesta sua terceira passagem por Inglaterra.