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Bernardo Silva, o génio que se segue

Futebol

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Andrew Couldridge / Reuters

O jogador formado no Benfica tornou-se o 3º futebolista português mais caro de sempre, depois de Cristiano Ronaldo e Luís Figo. Está encontrada a estrela da nova geração?

Meia vida na Luz

Bernardo Silva tinha oito anos quando ingressou nas escolas do Benfica. Aí se foi fazendo jogador, passando escalão atrás de escalão até atingir a titularidade indiscutível no Benfica B, na Segunda Liga, na temporada 2013/14. Em outubro de 2013 estreou-se na equipa principal, na Taça de Portugal. Mas não se conseguiu impor. Jorge Jesus dizia-lhe que havia muitos jogadores para a sua posição, de médio ofensivo, e obrigava-o a treinar como lateral esquerdo. Ao fim de apenas três jogos a vestir o equipamento do Benfica, e sempre como substituto tardio, o jogador foi emprestado ao Mónaco, que, em janeiro de 2015, o contratou em definitivo, por um pouco mais de 15 milhões de euros.

Sempre encarnado

O salto na carreira, aos 20 anos, revelou-se agridoce para o jogador. Por um lado, entrava num clube rico, que lhe pagava um salário de €150 mil por mês. Por outro, abandonava o clube do coração sem ter tido oportunidade de mostrar o seu valor. Mas a dor de alma não lhe arrefeceu a paixão. “Espero que não seja uma despedida para sempre. No próximo ano, voltarei a ser o que sempre fui: adepto do Benfica”, escreveu, na carta em que anunciou a saída.

Nasce o craque

No Mónaco, o português soltou-
-se e cresceu como jogador. As suas fintas, frenéticas mas elegantes, de bola colada ao pé, conquistavam os adeptos; a sua visão de jogo, com decisões cerebrais, ganhava partidas. Às mãos do treinador seu compatriota, Leonardo Jardim, Bernardo jogava como um menino de rua e pensava como um mestre de xadrez. E três golos a rivais (dois ao Marselha, um ao PSG) mostraram-se decisivos para a conquista do campeonato deste ano, o primeiro dos últimos 17 anos para o Mónaco.

Um símbolo

Ao fim de 28 golos, e muitas mais assistências, Pep Guardiola rendeu-se ao miúdo. O treinador catalão pediu-o de prenda e o Manchester City ofereceu-lho. Mas não ficou barato: a transferência custou 50 milhões de euros, e mais 20 milhões se forem atingidos certos objetivos (o Benfica ainda encaixa €1,8 milhões). Isto faz de Bernardo o terceiro jogador português mais caro de sempre, atrás de Ronaldo (€94 milhões) e Figo (€60 milhões). Um estatuto que lhe dá uma pressão adicional: a de calçar as botas de líder da próxima geração de futebolistas lusos, tal como CR7 é para a atual e Figo foi para a anterior.