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'Troika' escolhe: mais tempo ou mais cortes?

Economia

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Vários economistas acreditam que a equipa deverá aceitar rever as metas do défice e que é pouco provável que imponha novas medidas de austeridade

A missão de técnicos da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional começa hoje a quinta revisão do programa de assistência a Portugal.

Esta revisão reveste-se de importância acrescida, porque o Governo já reconheceu que não será possível cumprir a meta orçamental para este ano (4,5 por cento do PIB), devido a um desvio nas receitas fiscais.  

Segundo fonte da Comissão Europeia à Lusa, esta quinta revisão vai centrar-se precisamente nos desenvolvimentos orçamentais em 2012 e na preparação do orçamento de 2013", escusando-se a comentar cenários "especulativos".

Questionado sobre uma eventual flexibilização do programa português, face à situação das finanças públicas, o serviço de imprensa do comissário dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, indicou que a Comissão "nada tem a dizer sobre 'flexibilização' ou qualquer outra especulação em torno do desfecho da missão da 'troika'", limitando-se a indicar que as discussões incluirão "as medidas necessárias para alcançar as metas do programa".

Mais austeridade e hipótese "remota" 

Vários economistas contactados pela Lusa manifestaram a convição de que a situação orçamental deixa duas alternativas ao Governo e à 'troika': rever em alta a meta para o défice ou impor medidas adicionais. A Lusa perguntou a vários economistas qual das hipóteses é mais provável.

"Aquilo que resultou da última revisão é que a 'troika' estaria disponível para acomodar o efeito dos estabilizadores automáticos, ou seja, a redução na receita resultante de a actividade económica ser pior do que o previsto seria acomodado. A aplicarem esse princípio, haveria algum ajustamento na meta do défice", diz o professor da Faculdade de Economia do Porto, Álvaro Santos Almeida.

"O que se deveria passar era que a 'troika' e o Governo, por uma vez e definitivamente, entendessem que colocaram Portugal assim como outros países num caminho sem solução e sem resultados. Já todos sabemos, creio que as mentes insensíveis da 'troika' e do Governo também já deverão saber, que a austeridade é cumulativa, e portanto que a lógica de pressão aprofunda-se continuadamente como fruto das razões ou dos caminhos iniciais para que própria austeridade", apontou José Reis, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

"Mais austeridade será uma hipótese muito remota", acrescenta Nuno de Sousa Pereira, presidente da direcção da Escola de Gestão do Porto

"Mais austeridade será uma hipótese muito remota. O desvio orçamental que nós temos é claramente porque a situação económica se está a agravar, sobretudo se conjugarmos esse valor com o crescimento do segundo trimestre, que foi mais baixo do que se esperava. Pode ser um sintoma de que situação económica e dos agentes económicos se está a agravar. Mais austeridade seria contraproducente e apenas iria agravar o problema", sublinha.