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Recuperação de PME

Economia

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É em tempos de crise que todos os problemas estruturais vêm ao de cima. Já olhou bem para a  contabilidade da sua empresa? Talvez este seja o momento de identificar os pontos fracos e fortes

Atenção 

  • Não basta gerir pela conta bancária. É preciso olhar para a contabilidade efetiva (por vezes, existe a perceção de que o negócio corre bem, de que se vende muito. Mas é necessário ver a que margem equivale essa venda face às despesas e pôr de lado dinheiro para possíveis investimento
  • Não sobrepor contas pessoais às da empresa, nem retirar dinheiro das contas da empresa para resolver finanças pessoais.
  • Não declarar tudo ao fisco é um pau de dois bicos: não se pagam tantos impostos, mas viciaram-se os dados. É necessário atestar a correção dos números 

Sinais de alerta 

  • Dívidas à Segurança Social: se não paga, já está a financiar artificialmente o seu negócio
  • Quando der por si a tentar convencer-se de que "vai correr tudo bem", desconfie. Algo já está mal. Olhe com frieza para a situação. Não pode estar dependente de golpes de sorte. Avance para um diagnóstico 

Diagnóstico 

  • Quanto mais vende mais perde? Sinal de que a margem que liberta não é suficiente. Está a recorrer demasiado ao crédito para cobrir os custos? Deve gerir a empresa o mais possível com capitais próprios
  • Mas se até tem encomendas, como é que o negócio não é viável? Ver em que condições está a vender, controlar prazos de pagamentos dos clientes
  • Encontreos custos da estrutura instalada para saber qual deve ser o valor do produto da venda que tem de alcançar e poder identificar o limiar mínimo da faturação a atingir. Interrogue-se: como se reduz custos de estrutura para maximizar rendimentos ou valorizar o produto?
  • Antecipe o mais possível uma solução alternativa. Evite a situação de estar "a aguentar". Se percebe que só tem dinheiro para "aguentar" uns meses, não perca tempo: avance já para uma reestruturação 

Reestruturar ou... 

  • Se algo vai mal, quanto mais cedo encarar a realidade e o problema, melhor. Não tema a mudança nem esconda as dificuldades. Está na hora de falar com clientes, fornecedores, bancos e pensar numa reestruturação bem organizada
  • Se não encontra soluções sozinho, peça ajuda especializada (a um técnico oficial de contas, ao banco...)
  • Há que pensar em profissionalizar a gestão. Separe a gestão (criar uma direção financeira, comercial e de compras) da propriedade, altere o produto e procure novos mercados (exportar, por exemplo)
  • Crie um plano para aumentar as vendas e reduzir os custos. Mas pense na experiência da equipa que quer manter
  • Perceba se pode ter financiamentos alternativos: abrir capital a outros sócios, fazer parcerias, aceitar a entrada de uma firma de capital de risco...
  • Ver se o programa Revitalizar pode ser uma saída 

...encerrar 

  • Se, depois de tudo isto, não consegue libertar dinheiro nem conta mais com a confiança dos credores, não lhe resta outra hipótese 

Nota: Artigo elaborado com base numa conversa com Luís Miranda da Rocha, roc, e Álvaro Aguiar, ambos docentes da EGP-UPBS, instituição que dá apoio gratuito a processos de reestruturação de empresas

CASO

Farmácia recuperada

Exemplo criado com base num caso real 

Na farmácia X, como em muitas outras, ainda falta uma gestão profissionalizada. Entre 2009 e 2011, faturou sempre acima do milhão de euros, mas deu prejuízos, que chegaram a atingir os 141 milhões de euros, em 2011. Depois de uma análise à estrutura de custos, avançou para uma reestruturação: redução de 45% dos custos com pessoal (despedimentos), redução de 40% dos fornecimentos e serviços externos (renda, água, luz, honorários...), redução de 15% de outros custos (descontos de pronto pagamento, donativos, quotizações...), para além de estabelecer uma nova política de compras. Resultado: vai faturar muito perto de um milhão de euros, com lucros de cerca de 40 mil euros.

De acordo com Jorge Forte, sócio gerente da Planopharma (especializado em consultoria no setor farmacêutico) estas alterações "têm custos (sociais e financeiros), mas, se nada for feito, é o próprio negócio a estar em causa".

GUIA E EXEMPLOS: