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Receitas publicitárias 'online' já superam edições impressas nos EUA

Economia

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As receitas publicitárias da imprensa 'online' têm crescido imparavelmente nos Estados Unidos e deverão este ano superar pela primeira vez as das edições impressas, obrigando os jornais e revistas norte-americanas a uma adaptação urgente

Em vez de celebrar o seu 80º aniversário, a revista "Newsweek" prepara-se para deixar de ir para as bancas já no final deste ano e migrar para a internet, tornando-se símbolo da abrupta adaptação à crescente preferência por formatos 'online' e 'tablets'.

"Esta decisão não tem a ver com a qualidade da marca ou do jornalismo da Newsweek, que é tão poderoso quanto sempre. Tem a ver com condições económicas difíceis para a edição e distribuição", declararam a editora da revista, Tina Brown e o presidente da editora, Baba Shetty, aquando do anúncio do fim da edição em papel.

Segundo dados da consultora eMarketer, os investimentos publicitários em meios digitais vão atingir este ano 37,31 mil milhões de dólares, superando pela primeira vez a "fatia" da imprensa tradicional, jornais e revistas, que irá novamente "encolher", para 34,33 mil milhões de dólares, apesar de ainda terem muito mais leitores.

"Às vezes sinto-me uma paraquedista. A visibilidade é muito, muito baixa", afirmou recentemente a sub-editora da revista New Yorker, Pam McCarthy. "É preciso planear para o futuro, mas não sabemos realmente como vai ser o cenário", adiantou.

A Newsweek foi até agora o título mais célebre a deixar o papel, mas os exemplos recentes abundam, incluindo a revista SmartMoney ou o diário The Times-Picayune, o único da cidade de Nova Orleães, que passou a ter apenas 3 edições por semana, concentrando-se no seu `site`.

Dados recentes do Audit Bureau of Circulations (ABC), indicam que no primeiro semestre do ano as edições digitais representaram 15,3 por cento da circulação total dos jornais.

Incluindo `tablets` como o iPad da Apple, telemóveis, edições `online` e dispositivos como o Amazon Kindle, estas novas plataformas representavam apenas 9,8 por cento da circulação na mesma altura de 2011.

New York Times à frente... a par com "jovem" Huffington Post

Um dos pioneiros na transição para o digital foi o New York Times, que, depois de começar a cobrar no ano passado pelo acesso total a conteúdos no seu `site`, era em maio o título de imprensa `online` mais lido, com 29 milhões de visitas, a par do mais jovem Huffington Post. Comprado em 2011 pelo portal AOL e agora elemento central da sua estratégia de relançamento, o pequeno Huffington Post  tem atualmente quase tantos leitores mensais como o New York Times - perto de 29 milhões cada um em maio deste ano.

Muito centrado no conceito de "comunidade" e virado para a partilha de artigos -muitos deles de terceiros - nas redes sociais, o 'site' regista mais de 250 mil comentários diários, 21,6 milhões de partilhas e já se expandiu para Canadá, Reino Unido e França, estando previstas edições para o Quebeque, Espanha e Itália. 

Times: mais leitores online do que em papel 

"Enquanto os nossos leitores quiserem uma edição impressa, vamos ter notícias e informação impressa. Mas a nossa capacidade de crescer depende claramente mais do mercado internacional e do digital", afirmou o recentemente falecido editor do Times Arthur Sulzberger Jr., numa das suas últimas entrevistas.

Os dados da ABC indicam que, no primeiro semestre, o Times foi o único jornal com mais leitores `online`, 896 mil diários em média, do que na edição impressa, 717 mil exemplares. Em relação ao ano passado, a circulação subiu 40 por cento, graças ao digital.

O jornal mais lido continua a ser o Wall Street Journal, com 1,5 milhões de exemplares impressos e 794 mil leitores `online`.

O USA Today continua a liderar na edição impressa (1,6 milhões de exemplares), mas mostra dificuldades no `online`, com apenas 86 mil leitores.

Num estudo feito em junho pelo Pew Research Center apenas 23 por cento dos entrevistados tinham lido um jornal diário na véspera, menos de metade dos 47 por cento registados num estudo semelhante em 2000.

A queda foi inferior em relação a revistas, de 26 por cento para 18 por cento na última década.