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Presidente do CES critica "obsessão" da 'troika' com redução de salários

Economia

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O presidente do Conselho Económico e Social (CES), José Silva Peneda, critica a "obsessão" da 'troika' em reduzir os custos do trabalho em Portugal e defende a subida do salário mínimo nacional, contrariando a posição dos credores. VEJA O VÍDEO

"Se há matéria que é tipicamente de concertação social é o salário mínimo nacional (SMN) e acho que o poder político tem de legislar sobre isso. Mas, claramente, o primeiro sinal é a concertação social que o deve dar e os parceiros sociais já se mostraram mais que disponíveis para tratar do assunto, mas a 'troika' não o permite", disse Silva Peneda em entrevista à agência Lusa.

O antigo ministro do Emprego do Governo de Aníbal Cavaco Silva defendeu ser importante que "os parceiros sociais pudessem negociar", a subida do salário mínimo, atualmente nos 485 euros.

No entanto, "não o podem aplicar, uma vez que a troika não o permite até Junho", lamentou Silva Peneda, salientando que todos os parceiros sociais, incluindo as confederações patronais, já se mostraram disponíveis para aplicarem este aumento a partir de Janeiro do próximo ano. "A leitura que fazemos é que há uma disponibilidade muito grande por parte dos patrões. É evidente que seria desejável que isso não fosse negociado sozinho e há parceiros sociais que estariam disponíveis para negociar o SMN, mas gostariam que houvesse mais flores no ramalhete", afirmou.

Um novo modelo económico 

O presidente do CES defendeu ainda a necessidade de um novo modelo económico para o país, baseado na produção de bens transacionáveis, que gere credibilidade e confiança.

"A nossa crise foi muito profunda e não vai ser possível voltar ao ponto de partida. O modelo económico que vigorava no país até 2011, baseado na construção civil, no imobiliário, no crédito fácil, no consumo e no investimento público, esgotou-se", disse Silva Peneda .