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Por que nunca acertam as previsões?

Economia

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Falha o ministro das Finanças, a Comissão Europeia, o FMI e Banco de Portugal. Para que servem, então, as projeções económicas, se estão quase sempre erradas? Confira aqui as justificações de sete especialistas

"As estimativas em relação ao futuro acertam menos nas situações em que deviam acertar mais: nos momentos de convulsão" - Sandro Mendonça, professor e investigador no ISCTE
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"As estimativas em relação ao futuro acertam menos nas situações em que deviam acertar mais: nos momentos de convulsão" - Sandro Mendonça, professor e investigador no ISCTE

"As projeções tornaram-se mais falíveis por terem sido ajustadas a uma agenda ideológica, do Governo e também da troika" - Manuel Caldeira Cabral, docente da Universidade do Minho
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"As projeções tornaram-se mais falíveis por terem sido ajustadas a uma agenda ideológica, do Governo e também da troika" - Manuel Caldeira Cabral, docente da Universidade do Minho

"Se as pessoas alteram os comportamentos todos os dias, dificilmente o futuro dos indicadores económicos pode ser previsto a partir do passado. São fenómenos novos, que favorecem o erro" - João Confraria, professor da Universidade Católica e administrador da Anacom
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"Se as pessoas alteram os comportamentos todos os dias, dificilmente o futuro dos indicadores económicos pode ser previsto a partir do passado. São fenómenos novos, que favorecem o erro" - João Confraria, professor da Universidade Católica e administrador da Anacom

"Quase todas as nossas ações dependem de previsões. Logo, quase tudo o que acontece no mundo, infl uenciado pelas ações dos homens, é resultado de previsões, certas ou erradas" - Ricardo Reis, professor da Universidade de Columbia (Nova Iorque)
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"Quase todas as nossas ações dependem de previsões. Logo, quase tudo o que acontece no mundo, infl uenciado pelas ações dos homens, é resultado de previsões, certas ou erradas" - Ricardo Reis, professor da Universidade de Columbia (Nova Iorque)

"A mecânica, a física e a química, como estudam coisas simples, como os motores, planetas ou sal, dão sempre certo. Mas isso não é por serem melhores [do que a economia]" - João César das Neves, catedrático da Universidade Católica
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"A mecânica, a física e a química, como estudam coisas simples, como os motores, planetas ou sal, dão sempre certo. Mas isso não é por serem melhores [do que a economia]" - João César das Neves, catedrático da Universidade Católica

"As previsões permitem-nos detetar desequilíbrios e corrigi-los" - João Ferreira do Amaral, catedrático aposentado do ISEG
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"As previsões permitem-nos detetar desequilíbrios e corrigi-los" - João Ferreira do Amaral, catedrático aposentado do ISEG

"São modelos muito políticos, construídos para que produzam determinados resultados. Massajam os números" - João Duque, presidente do ISEG
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"São modelos muito políticos, construídos para que produzam determinados resultados. Massajam os números" - João Duque, presidente do ISEG

O segundo mês do ano ainda não acabara e já o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, confessava, no Parlamento, que as projeções económicas que deram corpo ao Orçamento do Estado (OE) estavam erradas. Com a economia a cair o dobro do previsto em 2013 - 2% em vez de 1% -, o défice ameaça descontrolar-se, a dívida pública tende a agravar-se e o desemprego a derrapar ainda mais, ultrapassando todas as estimativas feitas pelo Governo, Banco de Portugal, Comissão Europeia, FMI e OCDE (ver quadro). É um remake do filme que Portugal viveu em 2012, que vai obrigar o Governo a ativar o chamado plano B de cortes na despesa e a pedir a Bruxelas mais um ano para cumprir as metas do défice. E o leitor interroga-se: porque falham, sistematicamente, as previsões macroeconómicas? Para que servem , afinal, as projeções dos organismos nacionais e internacionais, se quase nunca acertam?

O debate não é novo. Em julho de 2010, a Câmara dos Representantes dos EUA ouviu um grupo de economistas notáveis, entre os quais Robert Solow, professor emérito do Massachusetts Institute of Technology (MIT) - o mais alto grau académico reservado para os docentes aposentados, distinguido com o Nobel da Economia em 1987. No âmbito de um comité criado para investigar a crise financeira, os congressistas quiseram saber porque é que os modelos económicos não souberam prever o colapso, falhando em toda a linha, e porque é que os economistas não deram orientações mais precisas para inverter o rumo dos acontecimentos. A pergunta de base que formularam foi esta: os modelos macroeconómicos dominantes são dignos de confiança para a tomada de decisões políticas? Se não são, deve o Governo apostar em investigação que produza modelos mais fiáveis e úteis?

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