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Metas de défice em 2013 e 2014 só com mais cortes

Economia

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A OCDE acredita que Portugal só irá cumprir as metas para o défice em 2013 e 2014 com recurso a medidas adicionais, para lá do corte de 4 mil milhões já previsto para o próximo ano. O organismo critica ainda a estratégia do Governo e as lideranças da Zona Euro

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) acredita que Portugal só irá cumprir as metas para o défice em 2013 e 2014 com recurso a medidas adicionais, solução que não aconselha.

Num documento de previsões económicas hoje divulgado, a OCDE defende que "o cumprimento dos objetivos para o défice nominal" - de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 e 2,5% do PIB em 2014 - "deverão exigir medidas adicionais de consolidação orçamental".

A OCDE menciona estas "medidas adicionais" para lá do exercício já previsto de uma redução da despesa pública em mais quatro mil milhões de euros, que deverá ter lugar no próximo ano. A organização nota ainda que, mesmo para a meta revista do défice de 2012 (5%), foram precisas medidas adicionais (mais impostos, a concessão da ANA-Aeroportos).

Mais pessimistas que Governo e troika

A OCDE prevê que a economia portuguesa se contraia 1,8% em 2013, quase o dobro do que esperam o Governo e a 'troika' (1%).

A OCDE também prevê que o crescimento económico só regresse "no final de 2013", enquanto o Governo e a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) esperam que já no segundo trimestre do próximo ano a economia volte a crescer.

Estes dados constam de um documento de previsões económicas hoje divulgado pela OCDE.

Consolidação sem agravar recessão

O Governo português deve continuar a fazer uma "implementação rigorosa dos planos de consolidação orçamental", mas também deve evitar o agravamento da recessão, defende a OCDE.

A organização defende que a consolidação orçamental é "grande mas necessária", e que Portugal deve continuar a "implementação rigorosa" do plano definido com a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu). No entanto, a austeridade implicará que a economia "vai manter-se em recessão durante algum tempo". Se a economia continuar a definhar, lê-se no documento, "o Governo deve permitir a atuação dos estabilizadores automáticos para evitar que a recessão se agrave".

Faltam respostas adequadas na Zona Euro

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico considera que o principal risco para a economia da zona euro, que só deverá voltar a crescer em 2014, é a falta de respostas adequadas por parte dos decisores políticos.

A OCDE estima que a economia da zona euro, atualmente em recessão, recupere apenas muito ligeiramente nos próximos dois anos e o desemprego continue a sua escalada, advertindo que estas projeções estão rodeadas de riscos, o maior dos quais "é que os decisores políticos não façam progressos suficientes na resposta à crise".

Em concreto, a OCDE teme falhanços na criação das condições para mobilizar as chamadas Transações Monetárias Definitivas (operações pelo BCE nos mercados secundários de obrigações soberanas), na tentativa de "reparar" o setor financeiro, e progressos insuficientes a nível de reformas estruturais quer nos países sob ajuda, quer nos países credores.

A economia global está "novamente a enfraquecer", sobretudo devido à falta de confiança e à paralisia dos decisores políticos.

"Após cinco anos de crise, a economia global está novamente a enfraquecer", escreve Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE, no editorial de um documento de previsões para 2013 e 2014.

A OCDE prevê que, para a média dos seus 34 membros (quase todos economias avançadas, entre as quais Portugal), o crescimento do PIB será 1,4% em 2013 e 2,3% em 2014. Esta taxa esconde, contudo, grandes discrepâncias entre os EUA, onde o crescimento estará acima dos 2% anuais, e a zona euro, onde a recessão deverá prolongar-se para o próximo ano, com uma contração de 0,1%, com uma retoma de 1,3% em 2014.