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Medidas dolorosas começam a dar frutos em Portugal, diz presidente do BCE

Economia

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Reuters

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, considera que as "medidas dolorosas" que têm vindo a ser tomadas em países sob programas de ajustamento, como Portugal, começam a mostrar resultados

"Vemos isto de forma clara, por exemplo, nas melhorias impressionantes no desempenho das exportações na Irlanda, em Espanha e Portugal e no recente aumento da produção industrial nos últimos dois países", disse Draghi, de acordo com o texto de um discurso perante a City of London Corporation.

O presidente do BCE sublinhou que a União Económica e Monetária está hoje "mais estável do que há um ano" e disse acreditar que os "mercados estão plenamente confiantes de que o euro é uma moeda forte e estável".

Mario Draghi referiu-se ainda às medidas que considera serem necessárias para que o "funcionamento estrutural" das economias nacionais seja melhorado, tais como a redução do espaço entre a compensação laboral e o crescimento da produtividade e a "reforma da estrutura dos mercados de trabalho nalguns países", de forma a permitir "ajustamentos nominais que evitem que o peso de condições de mercado mais flexíveis caia desproporcionalmente sobre as gerações mais jovens".

"Em particular, são necessárias reformas para garantir a justiça intergeracional ao abordar o fenómeno de 'insiders' contra 'outsiders'. Nalguns países da zona euro, este fenómeno está a conduzir a níveis de desemprego jovem que ameaçam o próprio tecido da sociedade", declarou o responsável do BCE, que elogiou as reformas laborais e de consolidação fiscal implementadas em países sob programas de ajustamento.

Num discurso em que voltou a apelar à criação de uma união bancária, Draghi explicou que, "com tantos jovens europeus a sentirem-se limitados nas oportunidades e nas perspectivas aproveitadas pelas gerações prévias, a urgência de avançar com esta visão [de estabilidade económica e prosperidade para a Europa] nunca foi maior". 

Draghi não deixou de aproveitar o facto de estar em Londres para dizer que a "Europa precisa de um Reino Unido europeu tanto quanto o Reino Unido precisa de uma Europa britânica"