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Eurogrupo sem acordo sobre a Grécia

Economia

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Apesar das 11 horas de reunião, os ministros das Finanças da zona euro não se entenderam, pelo que ainda não foi desta que a Grécia recebeu a ajuda de 31,2 mil milhões de euros, suspensa desde junho passado

Os ministros das Finanças da zona euro terminaram esta madrugada, em Bruxelas, uma longa reunião sobre a Grécia sem lograr "fechar" um acordo que permita o desbloqueamento da ajuda a Atenas, voltando a reunir-se a 26 de novembro

Ao fim de mais de 11 horas de conversações, a conferência de imprensa prevista para o final do encontro foi cancelada, tendo o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmado apenas à saída do Conselho que "um acordo está muito próximo, mas não foi possível" conclui-lo hoje por haver "trabalho técnico" que ainda é necessário fazer, designadamente "cálculos precisos" sobre os diversos cenários discutidos.

Juncker garantiu que "não há nenhum obstáculo de vulto" a obstar o acordo, reiterando que resta apenas "mais trabalho técnico em alguns elementos" de um pacote de iniciativas credíveis com vista a garantir a sustentabilidade da dívida grega.

Samaras furioso

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, manifestou hoje o seu descontentamento com a falta de acordo dos ministros das Finanças da zona euro para desbloquear a ajuda financeira a Atenas. O Eurogrupo, que deveria tomar essa decisão, foi suspenso, já de madrugada, em Bruxelas, por divergências quanto a formas de atender ao nível de endividamento da Grécia, que se prevê que seja mais elevado que o esperado.

"Qualquer dificuldade técnica na hora de encontrar uma solução técnica não é desculpa para qualquer relaxamento ou atraso", afirmou Antonis Samaras, num comunicado de imprensa.  

"A Grécia fez tudo aquilo que se tinha comprometido a fazer. Os nossos  parceiros, incluído o FMI  (Fundo Monetário Internacional), também têm de  fazer tudo aquilo a que se comprometeram", defendeu Samaras no mesmo comunicado,  citado pela agência noticiosa espanhola Efe. 

Além disso, alertou, a "estabilidade" da Grécia e "de toda a zona euro"  depende do desbloqueamento da ajuda. 

No final da reunião em Bruxelas, Juncker garantiu que "não há nenhum  obstáculo de vulto" a obstar o acordo, reiterando que resta apenas "mais  trabalho técnico em alguns elementos" de um pacote de iniciativas credíveis  para garantir a sustentabilidade da dívida grega. 

O presidente do Eurogrupo voltou a elogiar as ações levadas a cabo pelas  autoridades de Atenas, designadamente as medidas adotadas nos domínios da  consolidação orçamental, reformas estruturais, privatizações e estabilização  do setor financeiro, referindo que os 17 reconhecem os esforços feitos pelo  Governo grego e pelos cidadãos. 

No entanto, ainda não foi desta que a Grécia recebeu a tão ansiada "luz  verde" para o desembolso de uma ajuda de 31,2 mil milhões de euros, suspensa  desde junho passado. 

A Grécia aguarda há cerca de cinco meses essa fatia do programa de assistência  financeira, tendo os seus parceiros exigido que o Governo grego implementasse  um pacote de medidas de austeridade, já adotado por Atenas, e considerado  satisfatório pelo Eurogrupo, mas outras questões têm adiado um compromisso  final, designadamente ao nível da redução da dívida. 

Os credores da Grécia devem encontrar uma fórmula para reduzir a dívida  grega, que ameaça chegar aos 190% do (Produto Interno Bruto (PIB) em 2014,  tendo sido fundamentalmente este o ponto que arrastou as negociações hoje,  assim como a solução para "tapar" um "buraco" de 32 mil milhões de euros,  resultante de derrapagens dos dois primeiros planos de ajuda à Grécia e  o custo estimado que acarretaria um alargamento do prazo dado a Atenas para  proceder ao ajustamento. 

O Eurogrupo voltará a reunir-se na próxima segunda-feira, dia 26, em  Bruxelas.