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Espanha vai mesmo pedir ajuda financeira

Economia

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Mariano Rajoy, primeiro-ministro de Espanha

AP

Apesar dos desmentidos, o Governo espanhol deve mesmo ter de recorrer à ajuda financeira internacional. Os ministros das Finanças vão falar estar tarde por teleconferência e, depois, deverá ser anunciado o resgate, que rondará os 40 mil milhões de euros

Os ministros das Finanças dos países da zona euro vão reunir-se numa conferência telefónica às 15:00 para debater com a Espanha os moldes em que o país vai pedir ajuda financeira internacional para recapitalizar a banca, noticia a France Press.

De acordo com esta agência de notícias, a reunião servirá para acordar uma declaração, na qual a Espanha mostrará a intenção de pedir ajuda financeira internacional, de acordo com fontes de vários governos.

O pedido de ajuda externa surge no mesmo dia em que o Fundo Monetário Internacional divulgou que a sua estimativa sobre as necessidades de recapitalização da banca espanhola chegam aos 40 mil milhões de euros.

O sistema financeiro espanhol necessitará de pelo menos 40 mil milhões de euros para cumprir os novos requisitos de capitalização e continua a evidenciar vulnerabilidades importantes, anunciou hoje o FMI.

"A análise demonstra que ainda que o núcleo do sistema seja resiliente, continua a haver vulnerabilidades em alguns segmentos", explica a instituição, em comunicado.

Num comunicado divulgado ao final da noite de sexta-feira em Washington (início da madrugada de hoje, hora de Madrid) - que o FMI diz será reforçado na segunda-feira por documentos adicionais - a instituição avança detalhes do seu programa de avaliação do setor financeiro espanhol (FSAP).

Rajoy reunido com Rubalcaba

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, esteve em contacto nas últimas horas com o líder socialista, Alfredo Pérez Rubalcaba, numa altura de pressão sobre Espanha para um eventual resgate ao seu setor bancário, anunciou um deputado.

Eduardo Madina, um deputado socialista, confirmou os contactos, mas disse desconhecer o teor da conversa.

Ainda assim os contactos surgem depois do FMI ter antecipado em três dias a divulgação do seu relatório sobre o setor bancário espanhol, que estima necessidades de 40 mil milhões de euros para a banca, e num contexto de forte pressão sobre Espanha para que recorra à ajuda externa para recapitalizar a banca.

Juncker quer rapidez

O presidente do Eurogrupo pediu hoje uma solução rápida e urgente para a crise da banca espanhola, sublinhando que a situação do país não pode ser comparada à da Grécia, sobretudo pelos esforços de consolidação do governo espanhol.

"A solução deve ocorrer rapidamente", reclamou Jean Claude Juncker, em declarações à emissora Deutschlandradio Kultur.

Juncker, também primeiro-ministro do Luxemburgo, declarou que o problema em Espanha é puramente bancário, mas na Grécia a crise é muito mais ampla.

Juros aliviam

Os títulos de dívida soberana espanhola tiveram a sua primeira semana de ganhos num mês devido à convicção do mercado de que o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai conseguir um acordo com os líderes europeus para ajudar a banca.

A diferença na taxa de juro exigida pelos investidores para negociarem títulos de dívida espanhóis face aos alemães teve a maior queda desde janeiro, numa semana marcada pelo sucesso no leilão de dívida de quinta-feira, no qual o Tesouro conseguiu exceder o limite de 2 mil milhões proposto, depois do objetivo inicial de 2,5 mil milhões ter sido revisto.

O diferencial face aos títulos alemães, considerados a referência na zona euro, caiu 31 pontos-base, ou 0,31 pontos percentuais, esta semana, para 6,22 por cento, a maior queda desde a semana que terminou a 27 de janeiro, assinala a agência financeira Bloomberg, que atribui esta melhoria à convicção dos mercados de que a ajuda financeira a Espanha está para breve.