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Economia paralela em Portugal equivalente a um Monte Evereste em notas de 100 euros

Economia

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Estudo apresentado na Conferência Percepção Interdisciplinar da Fraude e Corrupção, que decorre entre hoje e dia 15, no Porto

O peso da economia paralela em Portugal aumentou de 24,8 para 25,4 por cento do PIB entre 2010 e 2011, com 43,4 mil milhões de euros a fugirem ao controlo do fisco, segundo um estudo hoje divulgado.

De acordo com Carlos Pimenta, presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), que realizou o estudo, este valor representa um "monte" de notas de 100 euros com 8,5 quilómetros de altura, equivalente ao Monte Everest.

Na sua opinião, para a crescente subida do índice de economia paralela em Portugal -- que quase triplicou relativamente aos 9,4 por cento do PIB estimados pelo OBEGEF para o ano de 1970 -- contribui decisivamente a "quebra da relação de confiança entre a população e o Estado".

A carga de impostos diretos e indiretos, de contribuições para a Segurança Social e de regulação e ainda a taxa de desemprego são apontadas pelo OBEGEF como as "principais variáveis motivadoras" do aumento da economia paralela.

Empresas fantasma

"O que mais causa fuga ao fisco não é a falta de faturas, mas faturas a mais para se receber IVA que não se paga, para empresas fantasma, para manipular preços de transferência entre empresas do mesmo grupo e para 'offshores'", sustenta Carlos Pimenta.

Segundo os responsáveis do OBEGEF, bastaria que os níveis de economia paralela em Portugal caíssem para a média da OCDE - 16,4 por cento do PIB, contra os atuais 25,4 por cento - para, aplicando-se uma taxa média de impostos de 20 por cento aos nove por cento de rendimento adicional considerados, o défice público descer dos 4,2 por cento de 2011 para os 2,2 por cento.

Portugal surge junto aos países do sul da Europa no ranking da economia não registada, com valores ainda assim algo inferiores à Grécia, Itália, Bélgica e Espanha.

Os países nórdicos, pelo contrário, destacam-se por serem os que têm menor índice de economia não registada.