Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

DECO quer acabar com comissões nas contas à ordem

Economia

  • 333

A DECO considera estes encargos abusivos e quer tornar obrigatório o envio aos clientes um extracto anual com todas as despesas suportadas

A DECO lança hoje uma petição para proibir as comissões bancárias ou outros encargos de manutenção nas contas à ordem, que considera abusivos, e tornar obrigatório o envio aos clientes um extracto anual com todas as despesas suportadas.

"Um extracto anual é essencial para percepcionar a totalidade das despesas suportadas pelo consumidor", explicou à Lusa Joaquim Rodrigues Silva, director da revista Dinheiros e Direitos da DECO, ressalvando que a associação considera estas comissões "abusivas" e "penalizadoras dos consumidores com menos recursos".

O objectivo da petição, disponível em www.deco.proteste.pt/conta-sem-custos, é o de recolher pelo menos 4.000 assinaturas necessárias para conseguir que o parlamento discuta a eliminação das comissões nas contas à ordem.

"Desde 2007, ou desde que a crise começou, as comissões de manutenção das contas à ordem aumentaram mais de 40%, o que é uma cobrança abusiva", defendeu o jurista da DECO.

A DECO salienta que o dinheiro depositado pelos consumidores em contas à ordem não é um fardo para os bancos.

Se fosse um fardo, "como se justifica que até há poucos anos as contas à ordem fossem remuneradas?", questionou Joaquim Rodrigues Silva.

A DECO lembra que os bancos precisam destes fundos dos clientes para se financiarem e gerarem mais dinheiro e que assim que entra dinheiro na conta do cliente esse fundo é aplicado e investido, acabando as comissões por fazer com que o consumidor pague para emprestar dinheiro ao banco.

A associação defende que os custos de manutenção das contas destinam-se, por definição, a compensar o trabalho do banco com a gestão do património dos clientes e questiona a razão por que a instituição paga mais a quem menos património tem.

Segundo a DECO, os titulares de rendimentos baixos pagam, em média, até cinco vezes mais que os consumidores com património elevado.

Com o aparecimento do 'homebanking', as tarefas que antes eram imputadas aos funcionários bancários (pagamentos, transferências, consultas de saldos e movimentos, por exemplo) passaram a ser realizadas pelos consumidores, acrescenta, defendendo que, sem prestarem um serviço, os bancos nada deveriam poder cobrar por uma conta à ordem.

"Os clientes bancários já pagam a anuidade dos seus cartões, bem como pela requisição de cheques e por outros serviços associados às contas à ordem. Somar a estas despesas uma comissão de manutenção é cobrar duas vezes pelo mesmo serviço", defende a associação.