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Como é calculado o IRS?

Economia

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"Bolas! Saltei de escalão e a nova taxa é muito superior à do ano passado!" O espanto é comum a quem olha para o seu rendimento bruto anual e o encaixa num dos cinco novos escalões de IRS. Mas as contas não são assim tão simples, nem necessariamente tão dramáticas

1.° PASSO

Pegue no seu rendimento bruto anual e subtraia as deduções específicas. Há uma dedução fixa de 4 104 euros, mas este valor pode ser mais elevado, se tiver quotizações para associações profissionais e sindicais. Se tiver feito contribuições para a Segurança Social superiores a 4.104 euros, deduz essas contribuições. Obtém, assim, o rendimento coletável.

2.° PASSO

Se não for casado, é sobre aquele valor que se aplica a taxa. Mas tenha em conta que essa taxa não incide sobre todo o rendimento coletável (exceto no primeiro escalão).

Exemplo: um trabalhador por conta de outrem solteiro, com um rendimento coletável de 80 050 euros vê a sua coleta (o imposto a entregar ao Estado) ser apurada da seguinte forma: aquele montante é encaixado nos 5 diferentes escalões e ao rendimento de cada escalão é aplicada a respetiva taxa específica. Assim, aos primeiros 7 000 euros aplica-se a taxa de 14,5%; aos próximos 13 000 euros aplica-se a taxa de 28,5%; aos 20 000 seguintes, 37%; aos 40 000 que se seguem aplica-se a taxa de 45%; e apenas aos 50 euros que restam se aplicará a taxa de 50,5% (48% do escalão máximo acrescida da taxa de solidariedade de 2,5%).

Contas feitas, a coleta apurada seria de 30 145,25 euros.

Se for casado, o rendimento apurado no 1.º passo é dividido por dois e é o resultado dessa divisão que determina a taxa máxima a apurar. Depois de aplicar o método acima, o resultado obtido é multiplicado por dois para obter a coleta.

3.° PASSO

Apurada a coleta, deverá subtrair-lhe as deduções à coleta. Para além de uma dedução fixa concedida pelo Estado por cada contribuinte, dependente ou ascendente, poderá ainda beneficiar de deduções relativas às despesas de saúde, educação, encargos com imóveis, etc. (neste caso específico, como o rendimento coletável se enquadra no último escalão, não poderá fazer qualquer dedução) e o total das retenções na fonte.

4.° PASSO

O resultado daquela operação é o imposto que irá efetivamente pagar aquando da emissão da nota de liquidação.

Se as retenções na fonte foram em montante superior ao imposto apurado, o Estado deverá devolver-lhe a diferença. Caso contrário, será o contribuinte a entregar a diferença ao Estado.