Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Chefe da missão do FMI contra mais aumentos de impostos

Economia

  • 333

Abebe Selassie defende que o Governo deve cortar a sério na despesa e defende que não deve haver mais aumentos de impostos.

O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal, Abebe Selassie, considerou em entrevista a dois jornais diários que o Governo deve cortar a sério na despesa e defendeu que não deve haver mais aumentos de impostos.

Abebe Selassie, disse, em entrevista publicada hoje no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias, que o Governo português deve debater o que "realmente quer fazer" nos setores da saúde, na educação pública e nos apoios sociais.

Sobre a subida de mais impostos, o responsável disse que em "termos fiscais, não gostaria de ver mais aumentos de impostos, salientando que o IVA e o IRS têm de ser comparados com outros países" e aumentá-los para subir a receita não seria útil.

No entender do chefe da missão do FMI para Portugal, o que é útil é  aumentar a base fiscal, alargá-la. 

"Não há muitas categorias de imposto. IRS, IVA e IRC representam a principal  fatia. E, do lado da despesa, a grande fatia está nas transferências sociais  e no setor público. O ajustamento fiscal tem de ser feito e tinham de escolher  entre as grandes fatias disponíveis. O governo português escolheu agora  o IRS, que é mais progressivo e taxa mais os mais ricos. Socialmente também  é uma opção razoável", disse. 

Questionado sobre se o risco de recessão em 2014 aumentou, Abebe Selassie  considerou que no "atual contexto económico global, a incerteza é elevada"  mas, a projeção da 'troika' continua a ser a de que "o Produto Interno Bruto (PIB) inverta a tendência algures no segundo trimestre de 2013 e que a retoma  comece a ganhar força, regressando a terreno positivo em 2014". 

O responsável disse também, na entrevista, que Portugal poderá voltar  a ter taxas de desemprego mais baixas no longo prazo, mas preferiu não avançar  com números. 

No que diz respeito à necessidade de se refundar o Estado social, no  âmbito do pacote de poupanças de pelo menos quatro mil milhões de euros  em 2013 ee 2014, Abebe Selassie diz que é preciso um grande debate nacional.

"A nossa visão é que, acima de tudo, é preciso um grande debate nacional  sobre o tema. Em segundo lugar é preciso debater qual é o nível de tributação e de despesa que desejam ter. É um debate profundamente interno e político que dever ser tido entre Governo e parceiros sociais e outros agentes da sociedade portuguesa", disse. 

Na opinião do responsável, cabe à sociedade civil decidir que nível  de proteção social deseja ter, que nível de impostos e qual o desequilíbrios  entre as duas dimensões. 

"A minha visão é de que, claramente, o país não pode ter desequilíbrios  como teve no passado. Não pode acontecer pois leva a mais endividamento",  frisou. 

Quando questionado sobre o número ideal de funcionários públicos para  um país com os recursos de Portugal, o responsável disse não haver regras  para os níveis de emprego mas, dependerá do que se quer do Estado Social.

Abebe Selassie disse ainda que a 'troika' tem um compromisso com o Governo  de descer o nível das indemnizações até à média da união europeia (entre  8 e 12 dias).