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"A nave do Eurogrupo vai louca", diz Eduardo Catroga

Economia

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O antigo ministro das Finanças, Eduardo Catroga, considera que a decisão de impor uma taxa sobre os depósitos no Chipre demonstra que "a nave do Eurogrupo vai louca" e que espera que o Parlamento cipriota chumbe a medida

"A nave do Eurogrupo vai louca. É a primeira reação que tenho. Atacar a confiança no sistema bancário quando precisamente toda a filosofia das medidas tomadas a nível da União Europeia foi criar condições de fortalecimento do sistema bancário e criação de condições de confiança dos depositantes, esta medida é incrível. Está ao arrepio daquilo que tem sido a filosofia da União Europeia", afirmou o antigo governante à agência Lusa.

Eduardo Catroga lembra medidas tomadas a nível europeu para reforçar a confiança dos depositantes e investidores no sistema financeiro na sequência da crise, como o aumento do valor garantido de depósitos em caso de falência de um banco de 25.000 para 100.000 euros, e diz que a medida é impensável.

"Esta medida é impensável. Nem queria acreditar, nem sei o que passou por aquelas cabecinhas no sentido de tomar uma medida deste tipo que pode ter repercussões muito negativas na confiança do sistema bancário em geral e de alguns países em particular", afirmou.

O ex-governante diz mesmo que não surpreenderia que as pessoas começassem a ter dúvidas se o seu dinheiro está a salvo no banco e defende que esta medida seja chumbada no Parlamento do Chipre.

"Não me admiraria que muitas pessoas começassem a pensar: 'então eu tenho lá 50 mil euros ou 100 mil euros e afinal não posso ter confiança" porque "de um momento para o outro lançam-me um imposto e congelam os meus depósitos?' Espero que o Parlamento de Nicósia não aprove esta medida e que a União Europeia seja obrigada a revertê-la", afirmou.

As agências internacionais revelaram, entretanto, que o Governo cipriota estará a negociar um novo plano, que prevê atenuar as taxas ou mesmo isentar os pequenos depositantes.

Em causa poderá estar uma alteração na taxa a impor sobre os depósitos até 100 mil euros que passaria a ser 3% ou 3,5% em vez dos 6,75% acordados inicialmente, enquanto a taxa para os depósitos superiores a 100 mil euros passaria de 9,9% para 12,5%.

Em discussão poderá também estar uma isenção completa deste imposto para depósitos inferiores a 20 mil ou 25 mil euros, segundo relatos de deputados envolvidos nas discussões, não existindo para já declarações oficiais sobre a existência destas negociações.

O debate e aprovação das medidas previstas no resgate europeu deveria ocorrer hoje à tarde, mas a discussão foi adiada para terça-feira.

Ainda hoje, os ministros da Finanças da zona euro analisaram durante uma conferência telefónica a nova proposta cipriota que pretende penalizar menos os pequenos depositantes. No comunicado emitido no final da teleconferência dos ministros das Finanças da área da moeda única, pode ler-se que a zona euro "continua a pensar que os pequenos aforristas deveriam ser tratados de maneira diferente dos grandes depositantes e reafirma a importância de garantir plenamente os depósitos inferiores a 100 mil euros", afirmou o presidente do Eurogrupo, citado pela agência noticiosa Efe.

O Chipre decidiu impor um feriado bancário - fechando completamente os bancos - até quinta-feira para evitar uma corrida aos bancos.