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Indisposições no A330neo: TAP e Airbus afastam deficiência na renovação do ar, mas tripulantes querem “ação rápida”

Economia

DR/TAP

Os resultados finais dos testes feitos aos aviões associados a relatos de alegadas indisposições deverão ser conhecidos no final de julho, diz sindicato dos tripulantes, que pede medidas imediatas para mitigar os sintomas detetados.

A TAP admite ter recebido relatos de indisposições de tripulantes dos voos operados com o novo avião Airbus A330-900neo, mas garante que são “casos pontuais” de “indisposições ligeiras” e que os testes feitos até ao momento não permitem ligar esses episódios a “deficiência” nos sistemas de circulação e renovação do ar. Mas o sindicato dos tripulantes, que recebeu mais de uma dezena de relatos de membros da cabine e passageiros, pede uma “ação corretiva rápida.”

A resposta da companhia e a reação do sindicato surgem depois da notícia avançada esta manhã pela TSF de que, nos últimos meses, se registaram vários casos de má disposição e de vómitos a bordo do novo avião que a TAP foi a primeira companhia no mundo a operar. Segundo aquela rádio, há suspeitas de que os sintomas possam estar relacionados com renovação insuficiente do ar dentro do avião.

À VISÃO, a presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil confirmou ter tido conhecimento de cerca de 12 relatos por parte de nove tripulantes de cabine. Estes casos, que segundo Luciana Passo foram transmitidos à TAP, motivaram uma deslocação de membros do sindicato às instalações da Airbus em Toulouse no passado dia 27 de maio. Mas segundo os testes feitos na altura pelo fabricante, “não havia nada de irregular,” refere a responsável.

O relatório final das inspeções, acrescenta, é esperado para o final do mês de julho, mas a persistência destas situações leva a responsável a insistir numa “ação corretiva rápida” e na “mitigação imediata” das causas para os problemas identificados. Luciana Passo refere que as indisposições não se verificam apenas nas fases finais dos voos – como tinha sido inicialmente reportado – e que houve passageiros a vomitar em algumas destas viagens.

Na resposta enviada à VISÃO, a responsável da comunicação corporativa da TAP concede que podem ter sido detetados “alguns odores provenientes do equipamento de ar condicionado”, mas que este “é um fato considerado normal em aeronaves novas e que desaparece logo após as primeiras utilizações.” E acrescenta que todos os testes realizados pela Airbus a possíveis fontes de desconforto, em terra e no ar, obtiveram resultados em “total conformidade”.

Numa declaração por escrito, enviada pela Airbus à VISÃO, o fabricante europeu repete o argumento do cliente no que diz respeito à existência de odores invulgares nos primeiros tempos de utilização e diz que as cabines dos A330neo são “desenhadas para evitar a contaminação do ar”. Adiciona que tem equipas a trabalhar para “identificar soluções e minimizar quaisquer problemas".

Luciana Passo recorda que o sindicato tem no Parlamento uma petição relacionada com a classificação das profissões de comissários e assistentes de bordo, chefes de cabine e supervisores de cabine como de desgaste rápido e que uma das questões que consta do documento é exatamente a qualidade do ar na cabine ("contaminação do ar da cabine por meio de organofosfatos"). “É preciso verificar que a qualidade é normal e saudável,” alerta.

A responsável refere que, depois da reunião em Toulouse, uma das indicações deixadas pela Airbus passava pela colocação de todos os sistemas de ar condicionado no máximo, uma recomendação que, diz, está a ser seguida.

A VISÃO tentou ainda contactar o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil mas fonte da organização referiu que, para já, o sindicato “não faz comentários sobre o assunto.”

A TAP começou a receber os A330-900N (dos quais encomendou 21 exemplares) em novembro do ano passado, depois de um atraso na entrega dos aparelhos que obrigou a dois adiamentos devido a problemas com os motores. O avião, com 298 lugares, promete uma poupança de 15% nos gastos de combustível, menor poluição sonora e operará as rotas de longo curso entre Portugal e as Américas.

Em meados de junho a companhia anunciava já ter recebido 10 exemplares do aparelho. “Cada Airbus A330neo da TAP contribui com mais de 24 milhões de euros para a economia portuguesa e traz mais de 600 postos de trabalho para o País,” lia-se no comunicado da empresa no passado dia 14.

Logo em fevereiro, dois meses depois do início dos voos com a aeronave, o jornal Sol dava conta da existência de problemas, nomeadamente de limitações no uso dos motores Rolls-Royce Trent 7000, que nos voos de longo curso obrigariam a aliviar a carga e impedir a lotação esgotada, situações que a TAP negou na altura, garantindo que os aparelhos estavam aptos a “fazer voos com a lotação máxima”.

As notícias sobre má disposição a bordo do A330 Neo surgem na véspera de a comissão executiva da TAP, liderada por Antonoaldo Neves, ir à comissão de Economia no Parlamento para falar sobre a situação financeira da companhia. A audição acontece na sequência do caso dos €1,17 milhões em prémios pagos a alguns colaboradores, relativos a 2018, um ano que foi de prejuízos na transportadora.

A empresa europeia recebeu recentemente mais 24 intenções de compra para este aparelho, durante o Salão de Aviação de Paris, entre encomendas (8) e compromissos de aquisição (16). A brasileira Azul, detida por David Neeleman – um dos acionistas privados da TAP – foi também uma das primeiras a receber este novo aparelho, realizando em maio o seu primeiro voo comercial.

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