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Disney torna-se dona dos Simpsons, Avatar e This is Us

Economia

Drew Angerer

A Disney transforma-se num dos maiores gigantes mundiais da industria de entretenimento com a compra do grupo 21st Century Fox ao americano Rupert Murdoch. É um dos maiores negócios do ano: 44,5 mil milhões de euros. O velho magnata dos media conserva a a Fox News e o The Wall Street Journal.

A Walt Disney já fechou o acordo de compra de parte do império de audiovisual de Rupert Murdoch por cerca de 44,5 mil milhões de euros (52,4 mil milhões dólares, valor sujeito ainda a ajustes). Em breve, a conhecida produtora de filmes 21st Century Fox, incluindo os estúdios de cinema e televisão, farão parte do grupo Disney, bem como os canais de televisão por cabo como a National Geographic, FX, Star e os 39% da Sky (a compra dos restantes 60% estarão já a ser negociados com o respetivo proprietário). Também a plataforma online Hulu passará da propriedade de Murdoch para a Disney.

Esta aquisição transformará a Disney num dos maiores gigantes da indústria mundial de entretenimento. Enquanto que o multimilionário Murdoch volta, para já, a ficar apenas com o negócio da informação, mantendo o controle da Fox News, Fox Sports e da News Corporation, empresa que detém os jornais Wall Street Journal e New York Post, nos Estados Unidos, e os The Sun, The Times e The Sunday Times, no Reino Unido, a que se acrescenta uma série de jornais australianos.

Com este negócio, a Disney pode obter sinergias gigantescas e um poder inigualável na distribuição de conteúdos, nomeadamente por streaming, competindo com a bem sucedida Netflix. Na produção cinematográfica, estão os filmes e séries aplaudidos pela crítica nos últimos anos. É o caso de Avatar, X-Men, Fantastic Four, ou séries como The Americans, This is Us, Modern Family ou os já clássicos Simpsons. A Disney também adquirirá a FX Networks, National Geographic Partners, Fox Sports Regional Networks, Fox Networks Group International, Star India e os interesses da Fox em Hulu, Sky plc, Tata Sky e Endemol Shine Group.

Este poder não atingirá só a América, mas também a Europa (com a Sky), a Ásia e a India (onde a Star tem uma forte presença).

"A aquisição desta constelação de empresas da 21st Century Fox reflete a crescente procura dos consumidores por uma diversidade de experiências de entretenimento que são mais convincentes, acessíveis e convenientes do que nunca", disse Robert A. Iger, presidente e diretor executivo da Walt Disney Company. "Estamos honrados e gratos de que Rupert Murdoch nos confiou o futuro das empresas de um grupo que ele passou uma vida a construir, e estamos entusiasmados com essa extraordinária oportunidade de aumentar significativamente o nosso portfólio de marcas e conteúdos que vão aumentar a nossa oferta direta ao consumidor. O negócio também ampliará substancialmente o nosso alcance internacional, o que nos permitirá oferecer conteúdos de classe mundial e plataformas de distribuição inovadoras para mais consumidores em mercados-chave em todo o mundo ", disse Iger, num comunicado oficial da Disney

Economias de escala de 1,7 mil milhões

Também Rupert Murdoch se mostrou satisfeito com tudo o que a sua 21st Century Fox construiu. “Acredito firmemente que essa combinação com a Disney gerará ainda mais valor para os acionistas, já que a nova Disney continua a marcar o ritmo no que é uma indústria excitante e dinâmica”. O ainda presidente executivo da 21st Century Fox mostrou-se confiante que ao juntar-se à Disney, tornar-se-á “uma das maiores empresas do mundo”.

Contrariando rumores de que um dos filhos de Murdoch, James, poderia vir a assumir o comando executivo da 21st Century Fox mesmo na era Disney, a empresa anunciou que tal cargo continuará a ser protagonizado por Robert Iger até ao final de 2021.

Ainda antes do fecho definitivo do negócio, a Disney propõe-se adquirir, até 30 junho de 2018, os 61% restantes da Sky que não pertencem a Murdoch. “A Sky é uma das empresas de televisão paga e criativas mais bem sucedidas da Europa, com plataformas inovadoras e de alta qualidade, marcas fortes e com uma equipa de liderança forte e respeitada”, lê-se no comunicado ao mercado. A Sky alcança cerca de 23 milhões de famílias no Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Áustria e Itália.

Já a Fox Networks International conta mais de 350 canais em 170 países; e a Star India, “que opera 69 canais, alcança 720 milhões de espectadores por mês em toda a Índia e em mais de 100 outros países”.

Só em economias de escala estão previstos ganhos a rondar os 1,7 mil milhões de euros (2 mil milhões de dólares)

Para a Disney, são imensas as hipóteses que se abrem com esta aquisição, seguindo a tendência que se vem notando de fusões e agregações na industria de conteúdos de entretenimento e informação.

Potenciando o uso de tecnologias e de plataformas inovadoras, a Disney tenciona dar um maior impulso aos seus criativos e contadores de histórias, estabelecendo um contacto direto com o público e dar-lhe mais opções de formatos de consumo, incluindo o serviço de streaming.

O que está a acontecer a Murdoch?

Porque é que Rupert Murdoch está a desfazer-se de uma parte do império que construiu ao longo de mais de 50 anos de vida é a pergunta que se vai impondo. O que pode vir a seguir ou o que vai ele fazer com o dinheiro? Estas questões têm levantado especulações na imprensa americana e britânica. “O que está por trás deste movimento?”, interrogava, há dias, o The Guardian. Será que se sente acurralado pelas gigantes da tecnologia como o Facebook, a Apple, a Netflix e Google? Ou decidiu que é hora de ganhar dinheiro e desistir da ambição de entregar o seu império aos filhos?

Rupert Murdoch, cuja fortuna a revista Forbes avaliou em 12 mil milhões de euros, é já encarado como fazendo parte de uma época passada, quando há toda uma nova geração a tomar conta dos novos negócios com base em novas tecnologias. Estará Murdoch, um “homem de ontem” como lhe chama o The Guardian, a assumir uma derrota? Ou haverá alguma jogada escondida?

Há quem especule dizendo que ele, ficando apenas com as notícias, mantém o seu poder e influência nos Estados Unidos e no Reino Unido, sem estar a competir com os gigantes de tecnologia, que “ele teme e não gosta”.

Mas aponta-se também para uma “batalha na sucessão” entre os filhos James e Lachlan. James, que estava já num cargo de responsabilidade na 21st Century Fox, poderia aí continuar, juntar-se á Disney e assumir a presidência depois de consolidado o negócio; ou avançando com o seu próprio negócio por sua conta e risco. E Lachlan poderia herdar a Fox News e todo o segmento de noticias, seguindo as pisadas do pai.

Seja como for, a sucessão do império Murdoch está na calha.