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Altice: O comando agora é deles

Economia

Luis Barra

A Altice propôs e a Prisa já aceitou. A dona da MEO compra a dona da TVI num negócio de 440 milhões de euros. “Não há despedimentos”, dizem

Ainda é “cedo” para pensar novos canais tradicionais, “a primeira aposta será no digital”, aí sim, haverá novos canais para novas plataformas, Rosa Cullel, a CEO da Media Capital, vai ficar, no cargo de administradora delegada, e não esperam que haja oposição política.

Michel Combes, CEO da Altice, respondeu às perguntas dos jornalistas, depois de uma breve introdução em que anunciou alguns dos objetivos da Altice (dona da Meo) na compra da espanhola Media Capital (dona da TVI e várias rádios), um negócio de 440 milhões de euros já comunicado à espanhola Comissión de Nacional del Mercado de Valores e à portuguesa Comissão de Mercados e Valores Mobiliários (CMVM).

Ladeado por Paulo Neves, presidente executivo da PT Portugal, e por Alain Weill, CEO da Altice Media, Combes disse que pretende que Portugal “seja o primeiro país com cobertura 5G”, mantendo sempre a “aposta na inovação”. Não poupando nos auto-elogios, referiu que são “os primeiros a juntar o [operador] número um em telecomunicações com o número um em media”. Embora esta estratégia do grupo já tenha sido posta em prática em França e Israel, as empresas de que são donos nesses países não são líderes de mercado, como sucede em Portugal.

Ainda faltam alguns “sins”
A aposta dos novos acionistas é a migração da Media Capital para o digital, seguida do lançamento de novos canais de televisão e da sua internacionalização, através da emissão para as comunidades de portugueses no estrangeiro e também da exportação de conteúdos da produtora Plural Entretainment, uma espécie de fábrica de ficção criada dentro do grupo que controla a TVI. “Queremos ter uma posição forte no mundo digital nos próximos anos. E sermos a alternativa a empresas como a Google, o Facebook e a Amazon, através do desenvolvimento de um novo tipo de produtos”, explicou Michel Combes. Já Paulo Neves, sublinhando que o futuro passa pela “convergência entre telecom e media”, adiantou que, cada vez mais, “os clientes dão valor aos conteúdos por cima do serviço básico de telecomunicações”.

Sentados na plateia estavam o dono da Altice, Patrick Drahi, e o português Armando Pereira, seu sócio, até há meses atrás uma das figuras principais da reestruturação da PT.

O Governo ainda não se pronunciou sobre o negócio e a Autoridade da Concorrência, assim como a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a a Anacom, ainda vão ter de dar luz verde à operação, mas a Altice não espera que haja oposição política, nem Combes quis “comentar as palavras do primeiro-ministro”, numa alusão às críticas que António Costa fez à empresa durante o debate do Estado da Nação, referindo até, que já “tinha escolhido” a sua operadora. Na origem do “ataque”, terá estado o “apagão” das antenas de comunicações da PT durante a tragédia de Pedrógão Grande, na qual morreram 64 pessoas.

O negócio e o banco
A Altice pretende ficar com 95% da Media Capital (até agora nas mãos dos espanhóis da Prisa). E o que tem a Media Capital? Além da TVI, líder no mercado televisivo generalista, há ainda a TVI24, a TVI Internacional, a TVI África, a TVI Ficção e a TVI Reality. No panorama radiofónico, detém a líder Rádio Comercial, a M80, Smoth FM, Cidade e VodafoneFM. Na Internet, a Altice que já é dona do maior portal nacional, o Sapo, vai juntar o segundo maior, o IOL. Do portefólio fazem, também, parte a Plural, considerada a “fábrica de novelas” nacionais.

Por seu lado, o império da Altice inclui jornais franceses como o Libération ou o L'Express, além de outras publicações, vários sites e o canal i24news.

Conhecida por emagrecer quadros, a pergunta não podia ficar de fora. Paulo Neves disse que não há “qualquer intenção de despedir”, embora tenha usado, depois, o eufemismo: “temos de tornar a empresa mais ágil”, o que tem estado a ser feito à custa da transferência de trabalhadores da PT para empresas externas que prestam serviços ao grupo.

Michel Combes confirmou ainda o pedido de registo do nome Alticebank. “É verdade que pedimos uma licença para operar serviços financeiros na Europa. A banca é uma extensão do nosso projeto digital. Estamos a preparar as coisas para avançar nesse sentido, caso decidamos efetivamente avançar”.