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Silicon Valley é sexista? Os escândalos de assédio não páram

Economia

Dave McClure, fundador e presidente da 500 Startup, uma aceleradora de empresas tecnológicas

Noam Galai / GettyImages

Desta vez foi Dave McClure, um dos mais conhecidos investidores em startups, a “cair” depois de reconhecer ter assediado sexualmente várias mulheres no trabalho. As queixas das empreendedoras em relação ao sexismo de Silicon Valley são muitas

Dave McClure fez as delícias do público na Web Summit de Lisboa, em novembro, na manhã seguinte à eleição de Donald Trump como presidente. “Se não estão chateados, alguma coisa de errado se passa com vocês! Estou triste, estou envergonhado, estou furioso!”, vociferou, do palco, arrancando grandes aplausos à plateia.

É um dos mais conhecidos investidores em startups, fundador e presidente da 500 Startup, uma aceleradora de empresas tecnológicas em início de vida, que gere vários fundos de mais de 350 milhões de dólares, angariados aos “tubarões” de todo o mundo.

Empresas como a Microsoft e a IBM são sócias são 500 Startup, que conta no seu portefólio com tecnológicas de sucesso como a portuguesa Talkdesk.

Agora, Dave McClure, que já esteve no topo do mundo tech, diz que é um “cretino” e pede desculpa. No original: “I’m a creep and I’m sorry”. Reconheceu ter assediado inúmeras mulheres no contexto de trabalho. Reconheceu, está bem de ver, depois de ter sido acusado por algumas empreendedoras.

Uma delas, a empreendedora Cheryl Sew Hoy, afirma mesmo não ter sido vítima só de assédio, acusando McClure de a ter atacado no seu apartamento, numa tentativa de a forçar a ter relações sexuais com ele.

O presidente da 500 Startups deixou o cargo neste início do mês de julho, apenas uma semana depois de outro investidor, Justin Caldbeck também ter admitido assediar sexualmente mulheres empreendedoras. Antes disso, em fevereiro, um engenheiro da Uber tinha sido acusado do mesmo.

O que se passa em Silicon Valley? “Existe uma cultura mais parecida com as repúblicas de estudantes do que com um ambiente de trabalho. Por vezes acaba em desastre”, refere ao jornal The Guardian Therese Lawless, a advogada que representa algumas engenheiras da Tesla.

“Acontece a uma escala inimaginável”, afirma outra advogada de mulheres que trabalham nas tecnológicas. “A maior parte das mulheres com quem trabalhei nas startups têm histórias em que foram assediadas por contacto físico”, acrescenta.

Uber, Twitter, Apple, Oracle, Google, Tesla… todas estas empresas têm histórias de assédio sexual e de discriminação, não só contra mulheres, mas também contra negros, num ambiente de trabalho largamente controlado por homens brancos.

No fundo, tudo como há muitas décadas atrás. A tecnologia evolui rapidamente; as mentalidades nem por isso.