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As filas para pagamento no comércio vão acabar em 2021… e boa parte do emprego também

Economia

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© MAXIM ZMEYEV / Reuters

As lojas estão a testar novas formas de pagamento, que passam pelo uso do smartphone do cliente. Assim se dispensam-se as caixas, as filas e boa parte dos empregados

Daqui a quatro anos, 25% das lojas no Reino Unido planeiam acabar com as filas para as caixas de pagamento. Esta é a conclusão de um estudo da consultora Zebra Technologies, que aponta os caminhos do comércio: os clientes vão passar a pagar os produtos com o seu smartphone, dispensando o tempo perdido nas filas.

E se, há uma década, muito se falou sobre a perda de empregos que as caixas “self-service” dos supermercados viriam provocar - atualmente, perto de 40% dos clientes já prefere esta opção, registando eles próprios os códigos de barras dos produtos - agora estamos a falar de outras soluções de pagamento usando a alta tecnologia, que já estão a ser implementadas em cadeiras de retalho como a Zara ou a Waitrose.

Na Zara, a roupa já tem etiquetas high-tech, que permitem aos empregados saberem onde está cada peça na loja. Estas etiquetas poderão servir, no futuro, para permitir que sejam os próprios clientes a registar a compra e a pagá-la com o seu smartphone.

Ao jornal The Telegraph, Mark Thompson, responsável da consultora Zebra, referiu que “os comerciantes querem dar mais poder aos clientes, deixando-os pagar com os telemóveis”. Este método de pagamento pode ser “pasto” para as compras por impulso, mas os comerciantes têm ainda mais a ganhar.

“As próprias lojas vão ficando mais ‘espertas’, dando informações sobre quando e onde estão certo tipo de compradores”, continua o especialista. E há um grande fator a ter em conta: as poupanças dos retalhistas com os salários, à medida que a função do “caixa” se vai tornando obsoleta.

À semelhança do que vem acontecendo com muitas outras profissões, que a tecnologia tem alterado ou mesmo feito desaparecer. Os taxistas temem que aplicações como a Uber ditem o seu fim? Já os funcionários das caixas dos balcões das instituições financeiras estão há 10 anos em acelerada extinção, com os clientes a lidarem com o seu banco através do homebanking e ou app do telemóvel.

E podemos acrescentar à lista o mediador de seguros, o portageiro, o carteiro, o agente de viagens… O que não se faz com Internet e um smartphone?

Não é à toa que a International Bar Association, que representa 80 mil advogados em todo o mundo, já veio alertar para a necessidade de os governos legislarem sobre a introdução de quotas para o humanos no mercado de trabalho, à medida que estes vão sendo substituídos pela inteligência artificial.

“Os empregos atualmente detidos pelos humanos estão em risco, em todos os níveis da sociedade, podendo ser entregues a robôs. A legislação para proteger os direitos dos humanos pode já não servir. Uma nova legislação laboral é necessária, com urgência, para manter a paz face à crescente automação”, conclui a associação.