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Liderança das empresas: menina já entra

Economia

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O Governo leva ao Parlamento uma proposta de lei que introduz quotas de género nas empresas cotadas em bolsa. Até 2020 um terço dos administradores terão de ser mulheres

Paula Amorim, presidente do conselho de administração da Galp Energia

Paula Amorim, presidente do conselho de administração da Galp Energia

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Uma em 46 - Paula Amorim, presidente do conselho de administração da Galp Energia desde outubro de 2016, é a única mulher com tal cargo entre as empresas cotadas na bolsa. Entre os quase 400 administradores, apenas 49 são mulheres, ou seja, 12,4 por cento.

Sim, a economia ainda é um mundo de homens, como a política, aliás, continua a ser. Mas um pouco menos. Agora, à semelhança do que, em 2006, se fez na política, introduzindo quotas de género nas eleições legislativas, autárquicas e europeias, o Governo quer que os conselhos de administração das empresas sejam compostos, no mínimo, por 33,3% de mulheres.

O diploma está em discussão na Assembleia da República e, a ser aprovado, obrigará as empresas cotadas em bolsa e as do setor empresarial do Estado a contratar mais mulheres para as suas lideranças.

As empresas do Estado e as das autarquias locais terão de ter administrações (e órgãos de fiscalização) com um terço de mulheres, no mínimo, já a partir de janeiro de 2018. Às empresas privadas cotadas em bolsa será dado um prazo mais gradual: 20% em 2018 e 33,3% em 2020.

Em Portugal, é sobretudo nas grandes empresas que se nota o domínio masculino nas lideranças. Segundo um estudo da Informa D&B, de 2016, 28,5% das empresas portuguesas são lideradas por mulheres.

As startups e as microempresas são aquelas que têm mais “presidentas”, com 32,3% e 29,2%, respetivamente. Já entre as mil melhores Pequenas e Médias Empresas, há apenas 14,7% de mulheres na liderança. No fundo da tabela encontram-se as 500 maiores e melhores empresas, com apenas 8,3 por cento.

“Quanto menor a empresa, mais expressiva é a parcela de mulheres em cargos de gestão e liderança. Ao invés, é nas grandes empresas que se concentra a maior presença feminina na força de trabalho: 45,4% dos empregados nas empresas com volume de negócios superior a 50 milhões de euros são mulheres. Nas grandes empresas, as mulheres estão mais fracamente representadas no topo: ocupam 12,4% das posições de gestão e 8% das de liderança”, refere o estudo.

Depois, há setores de atividade “tradicionalmente mais femininos”, continua o documento da Informa D&B. “A maior concentração de mulheres líderes de empresas está no setor dos serviços (36,5%), alojamento e restauração (32,5%), e retalho (32,4%). O setor de atividade onde o género feminino está mais equitativamente representado na força de trabalho é o da banca (48,2%). O que não se traduz, porém, num acesso mais frequente aos lugares cimeiros: menos de um décimo das empresas têm um líder mulher, o que faz do setor financeiro aquele onde estão mais fracamente representadas na liderança. A presença feminina é mais elevada em cargos de direção como a direção de qualidade/técnica (60,5%), recursos humanos (48,2%), financeira e de contabilidade (34,1%), e marketing e comunicação (33,4%)”.

O estudo conclui ainda que “o género do líder parece não influenciar substancialmente a performance global das empresas”. “No universo empresarial, em que se verifica que 54% das empresas aumentaram o seu volume de negócios nos dois géneros de liderança, nas empresas lideradas por mulheres esteve associada uma taxa de crescimento de 4,8% e nas de liderança masculina uma taxa de 2,9 por cento. Um comportamento semelhante verifica-se também quando consideramos empresas de grande dimensão, como as 500 maiores empresas, onde 60% aumentaram o volume de negócios, a liderança feminina esteve associada a taxas de crescimento de 4,7% vs. 2,7% na liderança masculina”.

Lá fora, o panorama não é muito melhor. Numa análise a 49 países, a consultora Deloitte concluiu que apenas 12% dos cargos de administração são ocupados por mulheres, percentagem que baixa para os 4% quando se trata da presidência do conselho de administração. Os países mais igualitários são a Noruega e a Itália. Irá Portugal entrar agora nesta lista?