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É passageiro da Carris? Saiba o que muda a partir de agora

Economia

Gonçalo Rosa da Silva

Com a municipalização da empresa, as crianças passam a viajar gratuitamente e os idosos com desconto. Nos próximos dois anos, vão ser criadas 21 novas linhas ligando escolas, mercados, centros de saúde e outros locais dos bairros de Lisboa.

A partir de hoje, os passes sociais são gratuitos para as crianças e mais baratos para os idosos que circulam na cidade de Lisboa. Desde que tenham um cartão Lisboa Viva Criança, as crianças entre os 4 e os 12 anos têm direito a viagens gratuitas na Carris e também no Metro de Lisboa. Entre os 13 e os 18 anos, o preço do passe mantém-se nos 26,75 euros mensais. Para quem tem mais de 65 anos, o custo do passe Navegante Urbano, válido na Carris, no Metro e na rede urbana da CP, desce 60% para 14,50 euros, resultando numa poupança anual de 151 euros para os utilizadores.

Com os aumentos que entraram em vigor no início do ano, o passe Navegante Urbano custa 36,20 euros para os utilizadores que não têm qualquer desconto.

Nas respetivas páginas de Internet, a Carris e o Metro indicam que as crianças e idosos sem cartão Lisboa Viva podem pedi-lo “em qualquer posto de venda do Metro, nos Espaços Cliente Santo Amaro ou Arco do Cego, nos Quiosque Mob Carris ou em qualquer operador de transportes da região de Lisboa”. Caso os utilizadores tenham os cartões Lisboa Viva Criança e Lisboa Viva 3.ª Idade válidos, “não é necessário qualquer procedimento adicional”. Basta que validem o título de transporte sempre que viajarem na rede de transportes.

A emissão dos cartões Lisboa Viva com perfil Criança ou com perfil 3º Idade custa entre €7 (com entrega em 10 dias úteis) e €12 (com entrega em 24 horas).

Esta manhã, foram noticiados problemas na utilização do passe gratuito das crianças, que a autarquia garante estarem a ser resolvidos.

Novas linhas para servir os bairros

A empresa, cuja gestão a Câmara de Lisboa recebe a partir de hoje, tem perdido meios e passageiros nos últimos anos. Assim, autaquia promete criar, nos próximos dois anos, uma Rede de Bairros com 21 novas carreiras destinadas a ligar, dentro de cada bairro, as escolas, os mercados, os centros de saúde e outros locais públicos. As primeiras quatro linhas deverão avançar já este ano, duas das quais em Marvila, uma nos Olivais e outra no Parque das Nações. Ainda sem data, estão as linhas que vão servir Alvalade, Arroios, Avenidas Novas, Beato, Belém, Benfica, Campo de Ourique, Campolide, Carnide, Estrela, Lumiar, Misericórdia, Penha de França, Santa Clara, São Domingos, São Vicente, Santo António e Santa Maria Maior.

Até final do primeiro semestre, a Câmara de Lisboa promete ainda disponibilizar gratuitamente Internet sem fios nos autocarros e elétricos da Carris.

Nos próximos três anos, o novo “dono” da empresa pretende adquirir 250 novos autocarros, maioritariamente movidos a eletricidade e a gás, e contratar 220 motoristas, num investimento previsto de 60 milhões de euros. Está também prevista a criação de um centro de formação para os condutores dos autocarros.

A municipalização da Carris foi formalizada num memorando assinado no início de janeiro entre o Governo e a Câmara de Lisboa. Mas a transferência não está a ser pacífica. O PCP, que prefere manter a empresa no setor empresarial do Estado., efetuou um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei do Governo que transfere a gestão da empresa para a autarquia, aguardando-se a marcação de uma data para o debate das suas propostas de alteração.

No modelo acordado entre o Governo e a Câmara de Lisboa, está prevista a criação de um fundo de mobilidade de urbana para financiar a gestão da Carris, com uma dotação de 15 milhões de euros proveniente das receitas do estacionamento na cidade de Lisboa, das multas de trânsito e do Imposto Único de Circulação pago pelos automobilistas. A autarquia recebe a Carris limpa de dívida, já que o passivo histórico da empresa, estimado em 600 milhões de euros, fica no Estado.