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ASAE tranquiliza consumidores e garante estar atenta à carne picada nos talhos

Economia

Mário João

A Deco apelou aos consumidores para que não comprem hambúrgueres já picados nos talhos, onde encontrou bactérias nocivas e aditivos alergénicos usados para fingir que a carne é fresca. A ASAE admite tomar medidas de fiscalização suplementar, mas garante que esta situação está há muito "sinalizada"

A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai analisar o estudo da Deco sobre a carne picada vendida nos talhos e admite tomar medidas de fiscalização suplementar se tal se justificar.

A Deco Proteste apelou hoje aos consumidores para que não comprem hambúrgueres já picados nos talhos, onde encontrou bactérias nocivas e aditivos alergénicos usados para fingir que a carne é fresca.

Em declarações à Lusa, o inspetor-geral da ASAE, Pedro Portugal Gaspar, disse desconhecer ainda o estudo da Deco, mas considerou que é um bom contributo para a defesa do consumidor e que o vai remeter para o conselho científico da ASAE.

"Analisaremos o estudo e remeteremos para o Conselho Científico e, se necessário for, tomaremos medidas de fiscalização suplementar", afirmou o responsável.

Em declarações à TSF, o mesmo responsável tinha tranquilizado a população, dizendo que não havia, para já, motivos para alarme. Pedro Portugal Gaspar considerou que esta é uma matéria "já sinalizada" pela ASAE e que tem sido muito acompanhada pelas autoridades. Segundo disse, em 2016 foram inspecionados uma média de dois talhos por dia, num total superior a 600.

"É um setor com vários incumprimentos, como há vários. O incumprimento zero, o risco zero não existe ", reconheceu.

Questionado sobre se faria sentido alguma proposta da parte da ASAE para uma alteração legislativa que proibisse a venda de hambúrgueres já feitos nos talhos, o responsável lembrou que "o quadro legal obedece a um enquadramento comunitário".

"Portugal é parte integrante e tem de ter presente qual o quadro sobre este tipo de situações nos vários países da União Europeia e nós, com os vários parceiros da UE não temos uma sinalização de risco que se coloque neste tipo de situação", acrescentou.

Pedro Portugal Gaspar lembrou ainda que a ASAE tem de ter elementos que lhe que permitam atuar para eventuais suspensões de atividade ou encerramentos de instalações.

"Temos de ter elementos para poder tomar medidas com a devida proporcionalidade, sob pena de tomar medidas desproporcionais para todos os agentes, quer consumidores que agentes económicos", concluiu.