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Carros gastam mais 42% de combustível do que dizem as marcas

Economia

Mercedes Classe B com o CEO da marca Benz Dieter Zetshe

Estudo europeu coloca a Mercedes no topo, com desvios de mais de 50% entre o testado em laboratório e a realidade. Marca alemã defende-se à VISÃO: "não há manipulação".

Quantas vezes já olhou para o computador de bordo do seu carro e pensou: “fui enganado, o consumo de combustível é muito superior aquele que me prometeram no momento em que comprei o carro”. A verdade é que esta é a realidade do panorama geral da indústria automóvel. Um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambientes conclui que as marcas manipulam os dados e mentem sobre o consumo dos automóveis. A pior é a Mercedes, logo seguida da Audi. E os desvios superam nalguns modelos os 50% entre o que é prometido pelo fabricante na brochura de venda e o real consumo em estrada.

O trabalho da federação europeia acusa as marcas de manipular os dados do consumo, aumentando em 450 euros por ano os gastos dos condutores europeus face às referências dos construtores.

À VISÃO, a Mercedes defende-se e garante que não há qualquer manipulação nos testes que tem efetuado. “Todos os nossos veículos são certificados pelos procedimentos que estão estipulados”, garante André SIlveira, do departamento de comunicação da Mercedes Benz em Portugal, lembrando que a marca alemã lançou já um novo motor no modelo classe E que cumpre todas as normas de certificação do planeamento europeu.

O estudo da FETA apresentava o classe E (mas o motor antigo, segundo a marca), e também o A, como os “piores” em termos de desvio - 56% mais gastos do que era vendido na brochura.

Em todas as marcas analisadas, os desvios superam os 35%, com a diferença média a “crescer exponencialmente” nos últimos anos. Atualmente, é de 42% enquanto em 2012 era de 28%. A FETA diz que os testes de eficiência de combustível conduzidos em laboratório têm lacunas e são propensos à manipulação e erro.

A Mercedes defende-se e diz que apoia a transição para o novo sistema de avaliação Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedures (WLTP), que permitirá, segundo se promete, maior aproximação dos testes de laboratório á realidade, não só em termos de consumos, mas também de emissões CO2.

André SIlveira também lembra que não tiveram acesso ao tipo de equipamento com que a FETA testou as viaturas. “Uma medida de pneus com uma jante tem um consumo, com outro tem outro consumo. Não temos acesso às características das viaturas que foram testadas por esta organização”.

A Audi fica em segundo lugar no ranking dos desvios, com 49% entre o teste e a realidade. SEgue-se a Smart e a Volvo, com números semelhantes, e depois a Peugeot (45%), a Toyota (43%) e a Volkswagen (40%). A melhor é a Fiat, com 35%.

Greg Archer, o diretor da FETA para os veículos ecológicos, diz que é tempo investigar: “Carros que consomem mais 50% de combustível do que é publicitado estão a enganar os consumidores e a manipular as regras ambientais. A menos que queriamos que sejam os americanos a fazer novamente o trabalho da Europa, a Comissão e as autoridades nacionais devem investigar a Mercedes e a Audi e determinar se estão a usar mecanismos para manipular os testes”.