Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Ofensiva de charme de Paris a banqueiros londrinos

Economia

  • 333

“Tired of fog? Try the frogs!” é o slogan de La Défense, bairro financeiro de Paris, para atrair os banqueiros britânicos descontentes com rumo do Brexit

Gisa Martinho

Gisa Martinho

Editora Executiva

Uma imagem de uma rã de gravata e o trocadilho entre fog (nevoeiro) e frogs (rãs) marcam o arranque da campanha publicitária de Paris para atrair a elite financeira da City londrina. Os outdoors, com a mensagem “Tired of the fog? Try de frogs! Choose Paris La Defense”, invadiram o aeroporto de Heathrow e a estação londrina de Eurostar.

La Défense quer “estender um tapete azul, branco e vermelho aos milhares de profissionais que procurem novas sedes europeias”, explica Marie-Cecile Guillaume, diretora da Defacto, responsável pela imagem do bairro financeiro parisiense, à Reuters.

A campanha, apesar de irónica, torna pública a disputa acesa de várias cidades europeias pelo negócio financeiro de Londres num cenário de Brexit. Sem acesso ao mercado único europeu, bancos, investidores e fundos de investimento sediados no Reino Unido não excluem deslocalizar-se para o outro lado do Canal da Mancha. Paris e Frankfurt posicionam-se para receber a maioria dos “fugitivos” da City e outras cidades europeias, como a capital do Luxemburgo ou Dublin, também querem uma parte do negócio.

“Por mais lamentável que seja a saída do Reino Unido da União Europeia, temos de ser pragmáticos e promover os nossos ativos”, admite à Reuters Patrick Devedjian, líder político do concelho que inclui La Défense. Por Londres passa 41% do volume do mercado cambial, quase o dobro face a Nova Iorque – Paris e Suíça têm apenas 3% cada, de acordo com o Banco de Pagamentos Internacionais. E cerca de 85% dos hedge funds na Europa também tem sede em Londres.

Um eventual êxodo de banqueiros é uma das maiores dores de cabeça de Theresa May no processo de saída britânica da União Europeia (Brexit), que começa em março de 2017. O setor financeiro exige a manutenção de um “passaporte de direitos” para aceder ao mercado europeu. Uma condição que obriga Theresa May a uma reviravolta política: sai da UE, deixa de ter voto nas decisões europeias, mas terá de continuar a pagar muitos milhões a Bruxelas para garantir o acesso ao mercado único. E ter acesso ao mercado único é sinónimo de respeitar as quatro liberdades fundamentais da UE, entre elas a da circulação de pessoas.