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FMI: Oito anos depois da crise, ainda não é desta que economia descola

Economia

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A recuperação económica é “precária” e os países mais ricos não dão sinais consistentes de retoma. Para Portugal, o FMI mantém as previsões de baixos crescimentos

Os países desenvolvidos não descolam e a “natureza precária” da recuperação económica, oito anos após a crise financeira global, continua a preocupar o FMI. Nas suas mais recentes projeções para a economia mundial, hoje divulgadas, o Fundo mantém as estimativas que em julho – após o Brexit - situavam o crescimento económico mundial em 3,1% em 2016 e em 3,4% em 2017. No médio prazo, o mundo continuará a avançar a duas velocidades: as economias desenvolvidas prosseguirão o “decepcionante” caminho do baixo crescimento, enquanto os países emergentes continuarão a ser o motor da recuperação mundial, de acordo com a análise de Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI.

Em relação a Portugal, o “World Economic Outlook” não traz novidades, já que as previsões do FMI foram revistas no final de junho. Nelas, Washington antecipava um crescimento da economia portuguesa de apenas 1% este ano (contra os anteriores 1,4% esperados em abril) e de 1,1% em 2017. Uma tendência que deverá prolongar-se até 2021, ano em que a evolução será de apenas 1,2%. Estes valores estão abaixo das projeções do Governo (1,8% para este ano), mas em linha com o avanço de apenas 0,9% do PIB no final do primeiro semestre do ano. No relatório, há também uma referência do FMI à vulnerabilidade do sistema bancário tanto em Portugal como em Itália.

Entre avisos sobre os sentimentos “populistas” nas economias avançadas, que podem dar origem à criação de barreiras ao comércio e à imigração, o FMI aconselha os bancos centrais dos países desenvolvidos a prosseguirem com as suas políticas monetárias expansionistas, preferencialmente em coordenação com um reforço dos gastos governamentais em educação, tecnologia e infraestruturas para aumentar a produtividade e reduzir as desigualdades.

De acordo com as projeções do FMI, as economias desenvolvidas devem crescer 1,6% em 2016 e 1,8% em 2017, consideravelmente abaixo dos 2,1% alcançados em 2015. Os EUA crescem 1,6%, menos que os 2,2% previstos em julho, depois de um “desapontante” primeiro trimestre, mas no próximo ano a estimativa é de 2,2%. O Reino Unido, com o Brexit, abranda para 1,8% este ano e 1,1% em 2017, depois de ter crescido 2,2% no ano passado.

Já a zona euro, cujas projeções foram revistas em baixa em julho também por causa do Brexit, avança 1,7% este ano e 1,5% no próximo, depois de ter crescido 2% em 2015. Considerando que o Banco Central Europeu (BCE) deve manter a sua política expansionista, o FMI recomenda ainda o alargamento do atual programa de compra de ativos caso a inflação teime em não subir.

Ainda segundo as previsões do Fundo, o Japão, deverá crescer apenas 0,5% este ano e 0,6% no próximo. Para a China, prevê-se um abrandamento do ritmo para 6,6 % este ano e 6,2% no próximo, depois de a economia ter crescido 6,9% no ano passado.

O papel de motor da economia mundial continua a ser desempenhado pelos países emergentes. Em média, deverão avnçar 4,2% este ano e 4,6% em 2017.