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Empresas pensam aumentar salários em 2017. Mas não é para todos

Economia

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Sean Gallup / GettyImages

São mais as empresas que pensam contratar ou manter trabalhadores, do que aquelas que admitem despedir. Alguns salários poderão subir, para impedir a fuga de jovens talentos. E a antiguidade já não é um posto.

São conclusões do último inquérito da Mercer, empresa de consultoria financeira, a 305 empresas a laborar em Portugal. Uma amostra que atingiu “um número recorde” de postos de trabalho analisados: 160 232. E que, quando comparadas com as conclusões do estudo realizado no ano passado, confirmam uma tendência: as empresas digerem a crise e estão a adaptar-se a trabalhar num quadro de fraco crescimento económico.

O clima é de confiança moderada, que vai caminhando para um quadro de estabilidade. “Há confiança suficiente para desenvolver algumas melhorias e um otimismo balizado por alguma cautela”, disse à VISÃO Tiago Borges, responsável pela área de estudos de mercado da consultora. “Digamos que há um certo conformismo face à crise e que esta situação é agora o novo normal.”

Face aos resultados, a comparação com os obtidos no ano passado são bem mais animadores e reforçam uma tendência de crescimento. Do universo das 305 empresas estudadas, 49% prevê contratar mais trabalhadores, quando, no ano passado só 26% tinham dado essa orientação. E 44% pretende manter o seu quadro de colaboradores. Apenas 7% admite a redução das suas equipas.

Menos salários congelados

Para 2017, a Mercer estima que o número de empresas que pensam aumentar os seus quadros estabilizem nos 46%. Se assim for, o desemprego continuará a diminuir: “a taxa de desemprego reduziu de 12,6, em 2015, para 11,6%, em 2016, sendo que se estima que se fixe nos 10,7%, em 2017.”

O tempo do congelamento de salários parece estar a chegar ao fim, pois só 5% das empresas em Portugal optou por fazê-lo este ano. Êm 2015, esta percentagem subiu aos 22%.

Outro indicador positivo é o aumento do salário base anual pago no primeiro emprego dos recém-licenciados, que se situou entre os €13, 057 e os €17 984. O que, dividido por 14 meses, aponta para valores mínimos mensais líquidos na ordem dos 700 / 800 euros, conforme possam ou não ter subsídio de alimentação. Mesmo assim, no ano passado, os valores andavam mais abaixo, com um mínimo de €11 950 como ordenado anual bruto.

Reter fuga de quadros

A verdade é que estes aumentos salariais estão ainda aquém do necessário para que se verifique a reposição de salários praticados antes de 2008. E aquém do necessário para atingir uma uniformização e um alinhamento do que se passa na União Europeia. Não estamos, portanto, ainda perto do pretendido: uma crescente integração dos mercados laborais europeus, decorrente da mobilidade do trabalho.

Mas, depois de um cenário de congelamento generalizado de salários, que caracterizou os anos de 2008 a 2010 e também 2014, “as empresas perceberam que não podiam fazê-lo eternamente, sob pena de perderem os seus talentos”. Ou seja, de continuar a ver trabalhadores qualificados a procurar destinos além-fronteiras. “Depois de um período de reestruturação muito forte, as empresas readaptaram-se para dar uma resposta de normalidade”, sublinha Tiago Borges.

Para a atribuição de um aumento salarial, há dois fatores preponderantes: a avaliação individual feita a cada trabalhador, por vezes condicionada pelos resultados da empresa. A antiguidade já pouco pesa no critério, tendo apenas um efeito residual.