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Nos partilha jogos do Benfica com a Vodafone. E com o Meo?

Economia

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Para já, o entendimento é só com a Vodafone, mas a Nos não exclui a entrada da Meo e da Cabovisão. A partilha da Benfica TV e dos jogos na Luz ajuda a reduzir a fatura de milhões dos acordos com os clubes, mas falta ainda saber em que canal ou canais vão ser transmitidos os jogos da Primeira Liga a partir de agosto

A Nos e a Vodafone anunciaram hoje um acordo que permite aos clientes dos dois operadores terem acesso aos conteúdos desportivos, nacionais e internacionais, “atualmente detidos ou que venham a ser detidos” por qualquer uma das empresas. A principal novidade é que os clientes de TV paga da Vodafone passam a ter acesso ao canal Benfica e aos jogos em casa do clube da Luz, em pé de igualdade com os assinantes da Nos, “independentemente do canal onde estes jogos sejam transmitidos” - que está ainda por definir -, já a partir da próxima época, que arranca em agosto. Os valores envolvidos no negócio não foram divulgados, mas com este entendimento a Nos consegue reduzir substancialmente a fatura dos acordos feitos em 2015 com dez clubes de futebol.

Para além do acordo com o Benfica, por 400 milhões de euros, que entra em vigor na próxima época, a Nos adquiriu também os direitos de transmissão televisiva dos jogos em casa do Sporting (a partir de 2017/18) e de mais oito clubes de futebol sénior: Académica, Belenenses, Nacional, Arouca, Paços de Ferreira, Marítimo, Braga e Vitória de Setúbal (a partir de 2019/20). Além da Vodafone, a Nos pretende agora alargar a cedência destes direitos a outros operadores de mercado – Cabovisão e Meo –, na premissa de criação “de um mercado aberto, onde o acesso aos conteúdos relevantes está disponível para qualquer um”, indica o comunicado da empresa.

Já a Vodafone tem seguido uma estratégia de não envolvimento na “guerra dos conteúdos desportivos” travada desde o ano passado entre a Nos e a Meo, preferindo entrar "no campeonato da distribuição dos conteúdos", como assinalou o presidente, Mário Vaz. Este acordo permite-lhe disponibilizar aos clientes os conteúdos desportivos contratualizados pela Nos e vice-versa, caso no futuro a Vodafone venha a adquirir direitos televisivos nesse campo.

Até ao arranque dos jogos da Primeira Liga, em agosto, a Nos terá ainda de definir o seu modelo de distribuição, escolhendo em que canal, ou canais, vai transmitir os jogos em casa do Benfica - se na Benfica TV, na Sport TV (que detém a 50%) ou num novo canal ainda por criar. Para já, com este acordo, mostra a sua vontade em “garantir a universalidade dos conteúdos desportivos adquiridos”, esperando estar a contribuir para “tranquilizar” a Autoridade da Concorrência na análise que o regulador está a efetuar aos contratos com os clubes de futebol, de acordo com uma fonte do operador.

A disputa entre a Nos e a Meo atingiu um clima de tensão em 2015, depois do controlo da PT (dona da Meo) ter sido adquirido pela Altice. Ao contrário da Nos, a estratégia do operador de capitais franceses assenta nos conteúdos exclusivos, o que o levou a proceder ao corte do sinal do Porto Canal aos clientes da Nos, pouco depois de ter fechado um acordo com o clube do norte por 457,5 milhões de euros. A “guerra” transferiu-se entretanto para os tribunais e a Nos aguarda, agora, o desfecho do recurso de uma decisão da primeira instância que lhe foi desfavorável.