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Dulce Félix: No mínimo, o máximo

Desporto

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A sua história de vida é o tónico fundamental para se superar na maratona. Hoje damos a conhecer Dulce Félix. VEJA AS FOTOS E LEIA A REPORTAGEM

Durante 17 dias, de 27 de julho a 12 de agosto, vão estar no centro das atenções, a representar Portugal entre competidores de 204 nações. Mas para conquistarem um lugar entre os melhores do mundo, passaram os últimos quatro anos a treinar intensamente, desafiando os limites dos seus corpos e, tantas vezes, arriscando a saúde. Que lições nos podem dar os atletas olímpicos em matéria de persistência, coragem, sacrifício, alegria, esperança e sentido coletivo? O exemplo de um grupo de portugueses que se recusou a desistir. Em nome de objetivos que podem ser de todos. Hoje damos a conhecer Dulce Félix: Nos próximos dias, apresentamos outros atletas

2012 World Press Photo of the year by Samuel Aranda, Spain, for The New York Times
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2012 World Press Photo of the year by Samuel Aranda, Spain, for The New York Times

2nd prize Arts and Entertainment Singles category by Vincent Boisot, France, Riva Press for Le Figaro Magazine
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2nd prize Arts and Entertainment Singles category by Vincent Boisot, France, Riva Press for Le Figaro Magazine

1st prize Arts and Entertainment Stories category by Rob Hornstra, The Netherlands shows the Sochi Project
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1st prize Arts and Entertainment Stories category by Rob Hornstra, The Netherlands shows the Sochi Project

1st prize Contemporary Issues Singles category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for Kiev Independent
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1st prize Contemporary Issues Singles category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for Kiev Independent

1st prize Daily Life Singles category by Damir Sagolj, Bosnia and Herzegovina, Reuters
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1st prize Daily Life Singles category by Damir Sagolj, Bosnia and Herzegovina, Reuters

1st prize Daily Life Stories by Alejandro Kirchuk, Argentina "Never Let You Go"
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1st prize Daily Life Stories by Alejandro Kirchuk, Argentina "Never Let You Go"

1st prize Nature Singles category by Jenny E. Ross, USA. Novaya Zemlya
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1st prize Nature Singles category by Jenny E. Ross, USA. Novaya Zemlya

1st prize Nature Stories category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for National Geographic
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1st prize Nature Stories category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for National Geographic

1st prize General News Singles category by Alex Majoli, Italy, Magnum Photos for Newsweek
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1st prize General News Singles category by Alex Majoli, Italy, Magnum Photos for Newsweek

Dulce Félix: "Sei o que custa a vida e isso fez-me mais forte"

Dulce Félix vive dias felizes. Medalha de ouro nos 10 mil metros dos  Europeus de Helsínquia, a vimaranense de Azurém, de 27 anos, não concebe correr e trabalhar para patamares apenas razoáveis, nas competições em que participa. Mesmo enfrentando os primeiros Jogos, quer "ficar entre as dez primeiras" na maratona e dar um passo de gigante para o sonho de uma existência: "Ser campeã olímpica".

Mínimos já ela teve que chegue na vida: o salário mínimo, na fábrica têxtil de Vizela onde trabalhava, os turnos feitos sempre de pé, sem descanso, e as poucas horas de sono entre a máquina de costura automática e os treinos. "Sei o que custa a vida e isso fez-me mais forte."

Nos momentos baixos do atletismo, Sameiro Araújo, a treinadora, é psicóloga, amiga, alento. Depois, é com a atleta. Mesmo quando não lhe apetece treinar. "Supero isso. Quem quer estar entre as melhores só pode pensar assim."

Soube o que queria experimentar em Londres quando terminou a Maratona de Nova Iorque em quarto lugar. "Tento sempre ter companhia durante a prova para depois chegar à frente, mas nos EUA fiquei sozinha e consegui uma grande marca." Em Londres, no domingo, 5 de agosto, admite que a receita se repita, nem que tenha de ir buscar forças à teimosia. Quem a conhece, sabe que o feitio lhe puxa para a obstinação. É o seu nome do meio.

A atleta está, de resto, no ponto de rebuçado da carreira. Ela que, "em cachopa, até nem ligava muito ao atletismo", vê-se agora guindada a comparações com Manuela Machado, a atleta que foi campeã europeia e mundial da maratona. "A minha treinadora diz isso", reconhece, assumindo a responsabilidade, mas sem ilusões. "Estamos a passar por um momento difícil no atletismo. Há menos provas, menos apoios. E ainda por cima, mesmo que ganhemos medalhas, a primeira página é sempre para o futebol", lamenta.

Em Londres, não terá o almoço da mamã à espera, como todos os dias. Sentirá falta, talvez, de "um bom filme de terror", que ajuda "a manter a pica e a adrenalina". Seja. Para quem acreditou tarde que a vida podia ser a correr, isto ainda é só o começo. "O desporto mudou-me a vida. E ensinou-me a dar valor às minhas conquistas. Para mim, pensar em desistir é o verdadeiro terror."