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Crise afasta Mário Santos da Canoagem e do Comité Olímpico

Desporto

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Após nove anos a desempenhar funções não remuneradas, dirigente vê-se obrigado a renunciar a todos os seus cargos desportivos e concentrar-se na sua actividade profissional de advogado, para garantir o sustento da família

O presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Mário Santos,  apresentou hoje, terça-feira, 8, a demissão do cargo. Em simultâneo, Mário Santos renuncia também ao seu cargo na comissão executiva do Comité Olímpico de Portugal, onde era vice-presidente e o designado chefe de missão aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro - função que também já ocupara nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, onde a canoagem foi a única modalidade medalhada entre os atletas portugueses.

Na origem destas decisões encontram-se, segundo explica na carta de renúncia a que a VISÃO teve acesso, questões de natureza particular, nomeadamente a necessidade de passar a dedicar mais tempo à sua actividade profissional, a advocacia, já que todos os cargos desportivos que ocupava não eram remunerados.

"A situação económica do país - à qual ninguém escapa - obriga-me, evidentemente, a total dedicação á minha vida profissional (a advocacia foi sempre a única fonte dos meus rendimentos), até como garante do bem-estar familiar", escreve o dirigente na sua carta de renúncia.

Presidente da Federação de Canoagem desde 2005, Mário Santos foi um dos principais responsáveis pelo salto dado pela modalidade, nos últimos anos, ao nível do alto rendimento: em quase todas as provas internacionais, os atletas portugueses passaram a marcar presença nas finais e a ganhar medalhas. Na carta, o dirigente faz esse balanço, assinalando as 76 medalhas ganhas por canoístas portugueses, em campeonatos da Europa e do Mundo, ao longo dos últimos nove anos. Só em 2013, a canoagem nacional ganhou 13 medalhas em Europeus e Mundiais.

"Atingimos claramente o objectivo de fazer da canoagem um desporto de referência em Portugal, e Portugal um exemplo na canoagem internacional. Somos olhados por todos com respeito, consideração e um exemplo a seguir", sublinha.

Como mágoa, na carta, Mário Santos refere a sua luta "por vezes quixotesca", para que "os responsáveis do país reconheçam" com "acções concretas" o "êxito e singularidade da canoagem a nível nacional, premiando efectivamente o desejado mérito desportivo e explorando todo o potencial desta modalidade."