Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Há um velhote (outra vez) no topo do ténis mundial

Desporto

JOHN THYS / GettyImages

A partir de segunda-feira, Roger Federer, 36 anos, será o tenista mais velho de sempre a liderar o ranking mundial. Andre Agassi, o anterior recordista, tinha por lá passado com 33. O suíço convidou Rafael Nadal, atual número um do mundo, para brindarem ao feito

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Aos 36 anos e 195 dias, Roger Federer vai regressar à liderança do ténis mundial. É já na segunda-feira, quando a atualização do ranking ATP refletir o triunfo sentenciado esta sexta feira, na segunda ronda do Torneio de Roterdão, frente ao holandês Robin Haase, por 2-1 (4-6; 6-1; 6-1).

Mais de cinco anos depois de ter sido destronado por Novak Djokovic, o recordista de semanas na posição mais alta da hierarquia (302) está de volta ao lugar para cavar um pouco mais a diferença em relação ao americano Pete Sampras (286). E para o conseguir desacreditou toda uma teoria da longevidade neste desporto altamente competitivo e esgotante: Andre Agassi, contemporâneo e compatriota de Sampras, era até agora o tenista mais velho a ter ostentado o estatuto de número um do mundo, com 33 anos e 131 dias, em 2003.

Se ele for número um vai ser um recorde inquebrável”, antecipava o búlgaro Grigor Dimitrov, número cinco do ranking ATP, no início da semana. “Ninguém imaginaria há 13 ou 14 meses, nem ele”, reconheceu, por sua vez, o número quarto, o alemão Alexander Zverev.

Roger Federer não ganhava um torneio do Grand Slam há seis anos quando regressou aos courts, em janeiro de 2017, após meio ano de ausência a recuperar de uma lesão no joelho. “Se em 2016 me dissessem que ia ganhar mais um ficaria eufórico. Já ganhei três”, sublinhou o suíço, no lançamento do Torneio de Roterdão, que não constava dos seus planos até ter conquistado o Open da Austrália, há duas semanas.

Os pontos amealhados no Grand Slam deixaram-no à beira de ultrapassar Rafael Nadal no topo do ranking e nem hesitou em fazer um desvio ao torneio holandês para escrever mais história, um dos seus ‘passatempos’ preferidos. Ontem, em conferência de imprensa, ciente de que Nadal estaria na Holanda numa ação publicitária, convidou-o para a festa, se fosse caso disso: “Ele que apareça. Estou sozinho, a minha família não veio.” É caso para isso, sabe-se agora, e não seria de admirar se Nadal aparecesse. Apesar de rivais, os dois são amigos de longa data. O espanhol enviou-lhe uma mensagem de felicitações assim que o viu ganhar o Open da Austrália.

O mundo do ténis está rendido a este velhote que desafia a idade. John McEnroe, ex-número um, fala assim de Federer: “É das coisas mais incríveis que alguma vez vi, em 25 anos de comentários e 15 a jogar. Não entendo como é que ele faz isto, mas é impressionante de se ver. Se tivesse de ter inveja de alguma coisa nele, seria do seu amor absoluto ao ténis”.

Após a vitória de hoje sobre Robin Haase, Federer defronta amanhã, nas meias-finais do Torneio de Roterdão, o vencedor do encontro que vai opor o italiano Andreas Seppi ao russo Daniil Medvedev.